É muito interessante quando a gente recebe o disco completo de um artista do qual pudemos acompanhar o lançamento de alguns singles. Principalmente quando se trata de um artista com talento e que, com essas prévias, deixou uma ótima impressão, caso algum trabalho mais cheio fosse lançado.
Isso porque é como acompanhar um ser humano desde o seu nascimento até ele atingir a idade adulta. Sentir a evolução de um trabalho a fundo é algo que, para quem ama música e arte em geral, não tem preço e causa sensações inexplicáveis. Talvez seja por isso que essas linhas iniciais sejam um tanto quanto ineficientes.
Mas, temos em mãos o disco de estreia de um artista que soube trabalhar muito bem em suas prévias, não teve pressa de lançar este material e agora chega em um momento produtivo. Tudo sem alarde e mantendo sua essência, tanto musicalmente, quanto na sua metodologia de trabalho.
Originário de Pescara, Itália, Decadent Heroes é o projeto solo de rock instrumental do guitarrista Luigi Chiappini, um músico movido por uma busca incansável pela perfeição tonal e autenticidade emocional. É dele que falamos e é incrível como ele molda seu som a sua maneira e com um adendo especial.
Luigi trabalha instrumentalmente, dispensa vocais e o sabe fazer como poucos. Claro, as influências de nomes como Joe Satriani, Andy Timmons, Neil Zaza, Jeff Beck e Carlos Santana, Chiappini e, claro, sua própria personalidade, que é o que dá toda identidade do qual o disco desfruta de forma concisa.
Construído em torno de um trabalho expressivo de guitarra e da intensidade das performances ao vivo, o álbum, que chega sob a alcunha de “Climax”, reflete um foco artístico de longa data no timbre, fraseado e desenvolvimento estrutural, resultando em uma experiência auditiva coesa e em constante evolução.
E para abrilhantar ainda mais o projeto, o disco traz participações especiais de Dennis Holt (Kansas, Taylor Swift), Pino Saracini (Eros Ramazzotti) e Rich Gray (Annihilator), o que confere ainda mais responsabilidade para o lançamento, afinal de contas, não tem como algo dar errado com um time destes e se der, pode ser algo muito grave.
São nove composições mais três versões alternativas, onde Luigi entrega uma versatilidade incrível, consegue transitar pelo rock e estilos adjacentes, além de flertar com outros, conseguindo dar um complemento excelente e sem perder a identidade. Tudo distribuído em pouco mais de meia hora, mais precisamente 36 minutos e 33 segundos.
“The Dragon” abre o disco com uma energia perfeita, onde ele consegue mostrar sua habilidade tanto nas bases sólidas quanto no protagonismo dos solos, revelando um rock poderoso e uma das principais faixas do disco. “Dawn of Fire”, que bebe na fonte do heavy metal, foi uma das principais prévias do trabalho, e uma faixa que consolida a identidade do projeto.
Com um piano moderno magistral, “Minutes Away” faz o papel de balada e chega com timbres magistrais nos solos, tirando lágrimas com sua melodia encantadora. Enquanto isso, depois do interlúdio de transição “Before The Hype”, “Hype”, que também foi um single prévio, vir com uma dinâmica intensa e trazer à tona influências dos melhores momentos de Satriani.
Eis que temos aqui “Enter The Mist”, essa sim já mostrando uma abrangência diferente. Preenchendo as lacunas um baixo providencial e leves toques de jazz, o que já ganha o jogo. Com um dos riffs mais gostosos do disco, “Pickup War” traz de volta o sabor Satriani, mas com uma leve veia progressiva, que os italianos sabem fazer como poucos.
“Here Comes The Rain” chega como uma faixa perfeita para um evento, com sua levada de dinâmica cadenciada e um trabalho melodioso de guitarra, que encanta desde o início. Para fechar o disco, o Decadent Heroes aposta na ‘chiptuner’ “Save Me Tomorrow”, que cairia muito bem em trilhas sonoras pra games, esportes radicais e automobilismo. Isso mostra o quanto o trabalho fecha em alta e com muito bom gosto.
Claro, ainda há as faixas bônus, como dito anteriormente. O disco conta com versões alternativas de faixas fundamentais, tais quais “The Dragon”, que acaba se tornando uma das principais do artista e soa bem consistente, provando que também é versátil.
“Dawn of Fire”, uma das faixas que Luigi mais maturou antes do lançamento do disco também traz sua versão alternativa, mostrando que soa muito bem com uma produção mais orgânica. Assim como “Hype”, outra faixa prévia que talvez seja a mais heavy metal do disco e ganha em intensidade com suas linhas de solo a lá Satriani.
Usando seu Helix HX Stomp, Luigi cirou presets extremamente detalhados para que o som bruto da guitarra que saísse já estivesse muito próximo do som final do álbum. O resultado é uma produção coerente, equilibrada e que mostra a habilidade do artista em unir elementos sintetizados com os orgânicos. Bem-vindo ao mundo dos discos Decadent Heroes.
https://twitter.com/DecadentHeroes
https://open.spotify.com/artist/decadentheroes




