É nítido, quando encontramos um artista multifacetado, o quanto sua obra é abrangente e diferenciada. Muitas vezes isso acontece de forma natural, mas também pode acontecer como algo premeditado, dependendo da metodologia de trabalho de cada um. Lembrando que não se trata de uma regra e sim de um fato.
Temos aqui um bom exemplo disso. A artista da ocasião lança um novo trabalho, que provavelmente é a sua obra mais completa. Porém, ela passou por diversas etapas e experiências até chegar aqui, além atender diversas linguagens, o que torna tudo bem característico, além de revelar um talento nato.
Mary Knoblock é uma artista de vanguarda inovadora, compositora neoclássica, compositora experimental, produtora, poeta, cantora e artista plástica, cujo trabalho desafia categorizações fáceis e transita fluidamente entre a música eletrônica, a música clássica, o jazz e paisagens sonoras atmosféricas. Mas, sua vocação multifacetada sempre surpreende, nunca fechando seu leque.
Desde cedo, ela se sentiu atraída pela expressão artística, estudando pintura e vários instrumentos, cantando desde muito jovem e, mais tarde, no Coro Feminino da Orquestra Sinfônica de Portland, no Oregon, sua cidade natal, por um breve período, em vários outros coros ao longo de sua formação escolar, e posteriormente expandindo sua fluência musical através do piano, flauta, violão clássico e trabalho coral.
Sua jornada artística começou oficialmente com trabalhos instrumentais experimentais e composições que desafiam os gêneros, inspirando-se em influências clássicas e incorporando texturas eletrônicas. Ao longo de sua prolífica carreira, Mary lançou um catálogo notável de álbuns, que deve ultrapassar a marca de 30 este ano.
Toda essa bagagem reflete eu seu mais novo disco, este “Peach”, que comprova a abrangência que Mary atingiu, seu conhecimento de causa, a sensibilidade em compor canções reflexivas, além de um contexto que une o ‘old school’ com o novo, sem soar datada e muito menos cair em tendências.
Com nove faixas e um equilíbrio que aparece praticamente em todas as partes, desde a produção, contexto sonoro, qualidade das faixas, tempo das música, etc, o álbum é profundamente íntimo, mescla narrativas cruas com paisagens sonoras suaves e emotivas. “Peach” marca um novo capítulo para a cantora e compositora, definido pela autodescoberta, honestidade emocional e a coragem silenciosa de escolher a si mesmo nas tempestades da vida.
Criado como um diário do coração, liricamente “Peach” explora a doçura e a dor do amor, da perda, do desejo e do renascimento. Tudo com uma sonoridade sensível, mas com a energia na medida que faz valer à pena os poucos mais de 45 minutos.
O disco abre com um dos principais singles do disco, “Mustang Clover”. A faixa neoclássica traz um piano sublime que, acompanhado de um cello providencial, cria uma base encantadora para que Mary insira sua voz doce em semi falsete, já dando as cartas do disco.
“Metal Neon Sky” traz uma veia clássica tradicional, inclusive na produção mais reverberada e uma intensidade extra, sem tirar a sensibilidade, que é uma das principais características da sonoridade do disco. Enquanto isso “Peach”, que mantém a produção mais crua, chega como uma balada que beira o pop.
Já em “Mother’s Eyes” fica impossível não se encantar com a sutileza e dinâmica do piano, além do tom intimista e ansioso que a faixa entrega. Enquanto isso, o segundo single do disco, “I Knew You”, nos surpreende com uma veia folk, onde um violão e até mesmo um banjo chegam para encantar e provar que Mary é ainda mais versátil do que imaginamos. A música faz por merecer ser escolhida como um dos carros chefes.
O requinte clássico e uma abordagem mais vanguardista retorna na magistral “Of The Alpine”, que encanta pelo trabalho virtuoso do piano e a interpretação de arrancar suspiros da cantora. Na faixa, Mary traz suas linhas suaves, mas com uma energia impressionante, que realmente toca o ouvinte.
“Maybe Tomorrow” fecha o disco dentre as faixas originais, encantando por se enveredar pelo folk, mas aqui mantendo o teor erudito de fundo e mostrando Mary em linhas mais intimistas, além das cordas de volta no instrumental.
“Peach” conta ainda com duas faixas bônus, que são versões alternativas. Uma é para a faixa título, que ganha uma roupagem ‘bluegrass’, soando muito interessante, talvez até melhor que a original. Fato é que a composição se mostra muito versátil.
A outra é para “Mustang Clover”, o carro-chefe definitivo de “Peach”, que chega com uma versão ‘deluxe’, que na verdade é estendida. O potencial dessa música é gigante, além de uma autonomia que a encaixa como reflexiva, meditativa e até mesmo como trilha sonora cinematográfica.
Depois dessa viagem reflexiva e de puro relaxamento musical que “Peachs” nos proporcionas, compreendemos o sentido de muitas coisas, afinal de contas, é um disco que não só abre nossa mente, como também à limpa, nos apresentando novas possibilidades sonoras, além de um enriquecimento na vida. Excelente!
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