A canção é embebida em uma estrutura conjuntural crua desde o seu despertar imediato. Explorada e enaltecida a partir da evidência da profunda ausência de lapidação sônica, essa percepção engrandece com as nuances opacas e abafadas com que a linha lírica digital e editada a um tom agudo vai tomando seu devido corpo.
Ganhando curiosos e preludiantes contornos rítmicos que se mostram diante de pulsos sincopados que parecem rememorar a atmosfera sensual do reggaeton, a faixa felizmente entra em contato com a sua esfera de lucidez no instante exato em que o escopo lírico passa a ser devidamente estruturado e vivenciado. Inclusive, é necessário pontuar que é também nesse momento que o rap passa a funcionar como uma espécie de alma sensorial.

Identificado em meio às cadências lírico-sincopadas assumidas por Christopher Rodriguez e seu timbre equilibrado entre o metalizado e o azedo, o rap vai se mostrando aquele elemento estrutural muito bem responsável por conferir, ao ouvinte, uma bem-vinda e necessária noção de movimento. Ainda que, no que tange ao som e ao próprio beat, exista uma boa dose de linearidade, é a fluidez verbal que dá a Whoom Seek Ye desenvoltura em meio ao seu diálogo sobre as complexidades das revelações espirituais.
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