The Last Silence | Master Wiz lança seu álbum mais urgente

Uma voz aguda recebe o ouvinte em meio a uma espécie de monólogo regido por uma postura enérgica. Inesperada e surpreendentemente, a composição flui para um ambiente de completa dramaticidade e pungência. Graças ao seu beat bem marcado e à inserção da sonoridade adocicada e valsante do violino, a composição expõe uma vulnerabilidade inesperada que eleva a sua silhueta sentimental. De interpretação lírica crua e inicialmente áspera, a canção amadurece seu viés lírico com a definitiva entrada de Master Wiz e seu tom grave. Diante disso, Wildflower Revenge se configura como uma faixa cheia de pressão ocasionada, especialmente, pelo uso de subgraves.

É interessante perceber que a sensualidade é um ingrediente sensorial de notável importância na construção da presente canção. Diante de um violão de cordas dedilhadas, ela dá destaque para um breve coro vocal que, de nuances agudas,açucaradas e levemente etéreas no sentido espirituoso, permite o amadurecimento do intimismo. Tendo esse aspecto como o definidor de sua paisagem estética, Cold Special mistura densidade, sensualidade e consistência com uma brisa profundamente reflexiva.

Desde o seu início imediato, a composição chama a atenção pela sua levada rítmica pulsante e precisa. Firme, em sua máxima essência, ela explora, curiosamente, uma natureza sincopada que, junto do enredo lírico, propõe um quê de deboche e leveza de uma forma a soar audaciosamente provocativa, mas longe do sentido propriamente sexual. Com direito à presença do sonar agudo dos trompetes oferecendo uma associação sônica com a musicalidade mexicana ao flertar com o mariachi, Trumpty Dumps traz uma sátira ácida da paisagem política vivenciada, atualmente, pelos Estados Unidos. 

O som é valsante, fresco e com leves doses de dulçor. Em sua forma sintética de representar o toque erudito dos violinos, o sintetizador se torna aquele elemento responsável por oferecer e engrandecer o drama diante da paisagem rítmico-melódica em exercício. Sincopada, firme e hipnoticamente melodiosa, Journey Black é uma faixa que se vale, essencialmente, pelas modulações e pela própria cadência lírico-interpretativa assumida por Wiz em meio ao seu tom reflexivo de breves brisdas melancólicas. 

Introspectiva, groovada, de pulsos secos e natureza sensorial amofinante, a faixa traz consigo, desde o seu início imediato, uma atmosfera de insinuações completamente entorpecentes que rouba, de imediato, o senso de lucidez do espectador. Hipnótica, mesmo diante da textura levemente áspera do shaker, Good Morning bebe de uma harmonia linear de forma a dar ao conteúdo lírico o seu principal alicerce de atração para com o ouvinte.

Ele pode parecer um álbum cheio de ambientes pautados pelo marasmo, pela monotonia. Porém, ao se basear na esfera do rap, o pulso e as texturas acabam funcionando como um mero acompanhamento. Sendo assim, é o enredo lírico que realmente importa. The Last Silence, em meio aos seus universos intimistas, reflexivos, melancólicos e até mesmo nostálgicos, traz consigo um sentimentalismo profundo que rouba a lucidez da audiência e pede, clama por atenção.

Diante de sua track list de 11 faixas, o disco não apenas caminha por universos meramente sociais. Ele invade a cultura, o senso de identidade e o aspecto do legado. Em meio a isso, existe destaque devidamente dado à visão corrosiva de Wiz perante a política Trump, o qual é o ponto alto do material por ser tão transparente e cinicamente debochado.

Como mo álbum mais urgente, focado e indesculpável de Wiz até o momento, The Last Silence é, em sua totalidade, uma espécie de declaração final e um apelo à conscientização. Acima de tudo, eis aqui um trabalho que funciona como uma lição de história.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4Ipi1HufulF9g9WydhFz7s

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