RUN WITH THE STARS | Duo parisiense Myoon lança EP que mistura um indie pop cinemático com aconchegantes sintetizadores analógicos

A ideia que se tem é a de uma introdução truncada. Afinal, seus primeiros toques sonoros parecem ter sido inseridos de forma súbita, como se tivessem cortadas as partes anteriores. Ainda assim, é graciosa a forma como o escopo harmônico-melódico se constrói de forma macia, aromática e valsante diante da presença dos violinos sobrevoando a atmosfera em construção. De temática espacial e aroma curiosamente entorpecente em meio às suas nuances adocicadas, Boom Boom avança em sua estrutura de forma a se felicitar com a presença de uma voz masculina delicada, açucarada e levemente sussurrante que preenche o escopo lírico. Com direito a pulsos rítmicos precisos oferecendo uma conotação de firmeza estrutural capaz de ofertar uma fonte necessária de lucidez ao ouvinte, a faixa se vê agraciada também pela presença de um baixo de groove linear, mas encorpado, que lhe entrega a dose ideal de consistência sem abalar a sua simplicidade amofinante.

Com os sintetizadores produzindo uma sonoridade de caráter aveludado, mas de nuances curiosamente borbulhantes, a canção tem seu início anunciado. A partir de uma espécie de vaivém entre a superfície melódica e uma diminuição na proeminência sônica da melodia em desenvolvimento, a faixa acaba sendo preenchida pela presença de um beat pulsante e simples, mas que oferece um contagiante e até mesmo surpreendente estímulo dançante. Introspectiva, entorpecente e desenhada sob contornos que misturam uma base rítmica house, um arranjo pautado no minimal e um andamento relaxado ao modo downtempo, Forward se mostra uma canção instrumental que destaca o veludo e o torpor como sua base sensório-estrutural.

Existe um prematuro senso de contágio exposto diante de um compasso rítmico sincopado absorto em meio a uma base atmosférica envolvente. De natureza dançante e uma identidade conjuntural mais radiofônica, a faixa explora o frescor e a delicadeza a partir da interpretação lírica assumida pelo vocalista. Com direito a incursões não apenas brisantes, mas especificamente oníricas, Dreamer é respaldada por um escopo rítmico fluido em seu compasso mid-tempo que permite uma maior atratividade e uma aparência cuidadosamente viciante, mesmo que seu escopo harmônico se apresente de forma linear.

É o beat que puxa a introdução imediata da composição. Diante de uma batida levemente sincopada e com uma rigidez opaca um tanto frágil, a canção se vê envolta em uma sonoridade sintética suavemente áspera que destaca uma incursão interessantemente sombria. Ainda assim, é interessante de se observar que a faixa consegue produzir um efeito dançante sobre o ouvinte, que se vê embriagado perante a fusão estético-estrutural de darkwave e indietronic, universos sonoros muito bem trabalhados em Dark World, outra faixa instrumental a preencher a track list do EP.

Ela se destaca pela sua leveza e pela sua valsa aromática, mesmo que perante uma identidade sintética. Presenteada com a textura suavemente azeda produzida pela guitarra de forma a contrapor harmonicamente com o torpor dominante em meio à sua paisagem sonora, a faixa é a primeira do material a trazer um lirismo narrado de forma inteiramente limpa e melodiosa. Em razão disso, a faixa-título permite ao ouvinte uma degustação profunda do timbre do vocalista, de forma a proporcionar-lhe a identificação de dulçor, veludo e toques de dulçor protuberantes diante da boa execução de falsetes. Com direito a pulsos firmes e devidamente enfáticos, mesmo que transborde leveza e se associe com o torpor, a faixa se contenta com uma boa dose de firmeza conquistada a partir dessa identidade percussiva que abrilhanta o enredo lírico de temática profundamente amorosa, apaixonante e intensa.

Um som ambiente que mais se parece com o burburinho de vozes recebe o ouvinte perante a introdução imediata da composição que engata em seu processo de desenvolvimento. Introspectiva e suavemente preenchida por uma sonoridade sintética de natureza cuidadosamente azeda, a faixa chama a atenção por ser agraciada por uma base que, muito além do atmosférico, flerta, inclusive, com o etéreo. Mansa, hipnótica e entorpecente, Walking Down The Street é alicerçada na fusão entre a influência estrutural do minimal, nuances de downtempo e, firmemente ancorada no ambient como textura e espaço. Por ser instrumental, essa última definição, especialmente, lhe garante, inclusive, transmissões sensoriais contemplativas.

RUN WITH THE STARS é um EP que se vale pela exploração de uma viagem não apenas sensorial, mas especialmente sonora. Capaz de entorpecer, mas também de sugerir boas doses de um relaxamento irresistível por parte do ouvinte, o material se destaca pela fusão de atmosferas melódicas sintéticas no que tange ao universo da música eletrônica com a textura e a serenidade do indie pop.

Conseguindo ser dançante, mas, ao mesmo tempo, entorpecente, onírico, brisante, macio e fresco, o conteúdo traz consigo uma combinação de composições que, simplesmente, transportam o espectador a um ambiente de pura leveza. Inclusive, ao explorar temas como romance, movimento e escapismo, a contemplação é algo inevitável de ser identificado e que se fortalece perante a interação de mundos sônicos como o minimal, o ambient, o downtempo, o indietronic e o indie pop. Tudo proporcionado por sintetizadores analógicos aconchegantes e um clima cinemático.

Mais informações:

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Site Oficial: https://www.myoontheband.com

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