Whispers | Lisa Jo lança álbum com canções criadas a partir de seus mais profundos medos

Logo a partir de seus primeiros instantes sônicos, a canção é tomada não por uma simples brisa de sensualidade, mas por um veludo que, desde suas modulações mais premonitórias, esboça um sentimentalismo profundo. Um toque de sofrimento. Uma leve pungência. Puxado pela guitarra e sua desenvoltura inquestionavelmente blues, o nascer da composição confere intimismo, delicadeza e emoção ao ambiente, capturando, de imediato, a atenção do espectador. Enquanto avança calmamente em sua desenvoltura, a composição permite a identificação de um piano de notas agradavelmente doces que enaltecem o seu caráter sentimental. Ao mesmo tempo, a crueza se anuncia por meio da sonorização de chiados nos momentos de silêncio, os quais são rompidos com o despertar do enredo lírico. Ocasionado por um solfejar melismático pronunciado por uma voz feminina frágil, ele, mesmo sem uma palavra devidamente dita, promove uma percepção íntima acerca daquilo que a obra aparenta estar construindo. Misturando as escolas do já citado blues com boas e generosas doses de R&B e soul no que tange o escopo verbal, Whisper Voices Of Rebellion ganha dramaticidade ao primeiro golpe rítmico produzido pela bateria, a qual desenha um compasso manso em 4×4. De refrão explosivo, com interpretações líricas altivas e de conotações motivacionais, a presente canção toca o espectador pela sua sinceridade estético-estrutural.

Parcialmente semelhante ao que foi observado durante o amanhecer da faixa anterior, o que acontece aqui é uma introdução ligeiramente mais aberta e sorridente. Diante de uma guitarra aveludada, que grita, mas com os devidos controle e cautela, a composição apresenta, no que se refere ao escopo melódico em produção, uma semelhança estética associada à entrega emocional de Joe Bonamassa nos riffs por ele criados. Sensuais e macios, mas com notáveis tons de visceralidade, eles são sintonicamente acompanhados pelos pulsos firmes da bateria, a qual monta o compasso blues na base rítmica. Proporcionando ao ouvinte a perfeita identificação dos ligeiros trotes secos do baixo, os quais se mostram encorpados o suficiente para entregar densidade e firmeza ao conteúdo em elaboração, a canção vive uma guinada de dramaticidade ao proporcionar o encontro da sonoridade em andamento com um quê harmonioso subitamente crescente. Whispers Of Regret, a partir daí, se mostra uma canção embasada em uma surpreendente melancolia que se funde por entre silhuetas dramáticas e sentimentalmente frágeis.

A guitarra pode até soar ligeiramente rebolante, mas, dessa vez, ela não propõe sensualidade, expansividade ou mesmo a pura emoção. Fornecendo um intimismo associado ao denso e ao tenso, o instrumento desenha a base melódica de forma a fazer dela algo macio que acompanha o escopo lírico prontamente anunciado. Desenhado por uma voz masculina de tom um tanto rouco, mas demarcado pela essência intermediária, ele oferece boas menções de soul em seu estilo de pronúncia, o que, por si só, sugere sentimentalismo e sinceridade emocional. Assumindo um contorno de intensa melancolia, principalmente em razão da entrada dos pulsos de notas duplas ofertados pelo piano, a canção, além de trazer uma harmonia e uma estrutura sônica lineares, evidencia uma crueza curiosamente estridente na camada verbal. Ainda assim, Whispers Of The Past se destaca pelo seu tom laumiroso, pesaroso e até mesmo sofredor. É isso o que, curiosamente, acaba criando um forte elo para com o ouvinte: a emoção.

Não é nem necessário expelir verbalmente o que a canção propõe durante seu processo introdutório. Basta sentir. Afinal, a forma como o piano preenche a camada harmônico-melódica é de uma singeleza surpreendente. Uma delicadeza tão densa que chega a até mesmo ser palpável. De sabor doce, mas de conotações melancólicas curiosamente amaciadas e valsantes em razão da presença erudita do violino dançando na camada harmônica, a canção traz consigo uma nova voz feminina no preenchimento e interpretação de seu respectivo conteúdo lírico. Diferente daquele obtido por Stacey Swift, o tom de Tori Sue, ligeiramente mais grave e firme, traz uma naturalidade lacrimal abundante que torna o sentimentalismo da canção algo impossível de se ignorar. Instrumentalmente minimalista, ao menos durante os primeiros versos, a faixa tem, na figura do piano, o coração de seus próprios sentimentos. Ainda que beba de uma base harmônico-estrutural linear, Whisper Words Of Sorrow traz certo quê de exaltação lacrimal com nuances dramáticas que pinçam profundamente o cerne emocional do espectador, fazendo da comoção, algo de vivência involuntária.

De início igualmente minimalista em relação àquele apresentado na obra anterior, aqui o nascimento da obra tem um piano de modulações mais arredondadas, fluidas e macias que, sintonicamente, acompanha o processo de desenvolvimento lírico. Vivenciado por uma terceira voz feminina, mais doce e ligeiramente frágil, ele confere um intimismo marcante, mas não devidamente dilacerante como aconteceu até então. Provando o contrário do que foi pontuado, o que Lisa Jo oferece em Whispers Of Silence é uma profundidade emocional densa e intensa que, curiosamente, consegue beirar a agonia e o desespero, mesmo diante de uma base rítmica firme, mas simples. Dramática em sua máxima essência, a faixa soa como um verdadeiro espelho do interior do personagem-lírico. Aqui, portanto, o caos interno é exposto, dissecado e devidamente dissertado.

Não é apenas o sentimento que grita, que fala, que arde por ser ouvido. A emoção, durante o decorrer de uma track list de 10 faixas, se mostra ser a base de toda a verborragia de Whispers. O sussurro, tal como seu título sugere, vem com a ideia de conotar o alívio, o torpor. A fuga da dor. No entanto, o ouvinte se surpreende ao perceber que a lamúra, o sofrimento, a melancolia, a nostalgia e o drama estão sistemática e simbioticamente unificados nessa junção de diálogos sônico-verbais.

Destacando a presença de um time de cantores que, definitivamente, dão a sua própria identidade às canções que lhes cabem ser interpretadas, o álbum, a partir daí, oferece diferentes espelhos para com emoções semelhantes. De Stacey a Ray Jam, passando pela própria Lisa, os cantores aqui presentes oferecem diferentes tons de visceralidade, mas todos unidos pela crueza e pela mais pura e profunda sinceridade emocional.

Nesse sentido, pode até ser que as primeiras cinco obras do álbum se destaquem em relação às demais, mas todas, sem exceção, montam um único enredo. Em sua totalidade, portanto, Whispers é um retrato fiel, doloroso e comovente dos medos mais profundos vivenciados por Lisa Jo em meio a um período de dois anos intensos que vivenciou a perda dos pais e de amigos próximos. Um exercício de resiliência e superação.

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