Na música, o sonho de estrela que muitos imaginam não é exatamente como um conto de fadas. Mesmo que a música seja digna do ‘mainstream’, muitos artistas dão duro antes da fama, ou até mesmo pra sempre, para conquistar o tão sonhado lugar ao sol. Temos aqui um bom exemplo disso.
Durante o dia, Melissa Geurts é Diretora Executiva de Criação do Grupo Good Housekeeping, onde passou onze anos fazendo o caos parecer administrável para ganhar a vida. À noite, ela faz música em seu apartamento com o marido, Josh. Trata-se de uma artista canadense de música eletrônica radicada em Nova York, que cria o que ela chama de “hinos para o sistema nervoso” — synth-pop sombrio para a ressaca pós-terapia.
Melissa vem acumulando centenas de milhares de reproduções mundo afora, o que dá ainda mais responsabilidade ao seu novo disco, este “maintenance mode”, de, no mínimo, preservar um legado que já vem sendo construído com muita personalidade e de forma natural.
Trazendo como tema central o desgaste da rotina e como nos acostumamos a ela sem que o corpo nos acompanhe. Como ela mesmo explica, é sobre a quietude suspeita depois de você ter feito todo o trabalho — a parte em que sua cabeça está curada, mas seu corpo ainda não acompanhou.
Das 13 faixas do disco, algumas se destacam, mas é bom ressaltar que se trata de um trabalho equilibrado, onde Melissa não deixa a peteca cair em nenhum momento, mantendo a qualidade e energia intactas.
O primeiro destaque fica por conta de “temper temper (lumière menteuse)”. O synthwave saudosista que a música entrega prima por beber em fontes da juventude, pois mesmo com uma inspiração ‘old school’, a artista consegue dar uma abordagem atual. Que batida incrível, que vibração dos sintetizadores distorcidos e que teclados climáticos ao fundo!
Se você busca intensidade e uma vibração que invade sua alma, opte por ouvir a magistral “Talk To Wall”. Já “rest/push/colapse” retorna com o synthwave banhando por uma melodia pop e sintetizadores cintilantes. Enquanto isso “Great Mother” é uma balada encantadora, que mostra a versatilidade da artista e uma letra inspiradora.
Claro, citar apenas quatro composições é menos de um terço do disco, que traz detalhes, além da oportunidade de ouvir várias vezes e se aprofundar ainda mais. Fato é que “maintenance mode” é um álbum acima da média, onde prova que ser versátil e conciso é mais do que possível.




