O introspectivo é um detalhe sensorial que comanda toda a experiência do espectador. Desde seu início imediato, a canção, por meio das notas curtas retiradas das cordas do violão, envolve o ouvinte em uma espécie de ecossistema frágil e reflexivo. Naturalmente ondulante, a faixa vai mostrando, conforme avança em sua estrutura, ser um produto desenhado para ser vivido de forma minimalista.
O interessante, nesse ínterim, é perceber que, por mais que a melodia efetuada pelo piano tenha em si um quê linear, existe uma percepção associada a um senso agradável de fluidez. A partir daí, o senso de movimento é adquirido, retirando a ideia de incômodo diante da progressão da obra. É também em meio a esses momentos que o ouvinte é colocado em contato com estímulos hipnóticos, os quais são sugeridos a partir da branda troca de acordes experimentada pelo instrumento.

Inteiramente instrumental e completamente minimalista, a faixa traz consigo um frescor que, de forma curiosa, dá certo embasamento à sua silhueta de caráter reflexivo. Delicada e, portanto, frágil, Rapids consegue ser doce e gentil ao mesmo tempo em que fornece lapsos de um drama ainda imaturo, mas bastante perceptível em sua paisagem. É assim que Martin Lloyd Howard faz, da faixa, um produto inteiramente pensado para ser executado pelo violão.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5f83vtRoIg611zufq6A6ID
Soundcloud: https://soundcloud.com/user-968993567/winters-light
