Uma voz feminina aveludada e adocicada surge em cena a partir de uma movimentação vocal ululante que confere ao cenário um caráter não somente atmosférico, mas, principalmente, etéreo. Enquanto isso, a guitarra vai tomando certo grau de protagonismo conforme se posiciona a partir de movimentos levemente acelerados que, vividos por um sonar agudo, induzem a uma percepção de caos preludiante. Quando a bateria permite que a obra exploda em uma segunda etapa introdutória instrumentalmente completa, o contexto acaba sendo agraciado pelo drama, pela pungência e pela intensidade. Diante disso, aquele sonar acelerado assume o posto de base e se mostra pertencente a uma camada sintética. Afinal, aqui as guitarras surgem para dar ênfase ao sentimentalismo com sua aspereza linear e entorpecente. Amadurecida a partir de um corpo devidamente atmosférico, mas acompanhada por uma base rítmica precisa em um andamento 4×4, Breaking The Well flerta com o intimismo graças à maneira com que o vocalista vai interpretando o conteúdo lírico. No refrão, é onde a faixa atinge seu pico e onde, principalmente, a dramaticidade ganha uma notável proeminência sensorial, dando ao ouvinte a condição de perceber menções de uma melancolia profunda e temerosa.
O sintético continua sendo responsável por puxar o desperta sônico. Aqui, diferente do que se observou anteriormente, tal sonoridade é introduzida de maneira a comunicar o épico e o denso desde o início imediato da obra. Não é de se espantar que, nesse ínterim, uma subdivisão cinemática de nuances orquestrais e dramáticas tome conta do ambiente de forma a colocar o ouvinte em contato com o denso, com o tenso e com um contexto cinemático sensorialmente penetrante. Enquanto o digital vai sendo responsável por moldar a sonoridade do primeiro verso, a mesma voz aguda e feminina que puxou a intro de Breaking The Well ressurge, mas agora na ânsia de viver, definitivamente, o presente escopo lírico. Colocando o espectador diante de um cenário de energia reflexiva e postura introspectiva com direito a um generoso flerte para com uma paisagem atmosférica, esse timbre logo se funde ao tom masculino de caráter levemente metálico que torna Distant Future uma obra visceral. Cheia de angústia, agonia e sensos de desespero associados com um toque de nostalgia, a faixa se mostra um produto rascante principalmente em razão da aspereza rasgada com que o vocalista vive seu enredo lírico.
O início é bastante semelhante àquele estruturado na primeira música. Atmosférica, de base etérea e com um aroma transcendental inquietante, a faixa transita rapidamente dessa camada vocal mística para um punch sonoro metalizado que, tão rápido se instaura, se encerra. Contribuindo para a harmonia da obra, a voz feminina se mostra a responsável por, além de inserir, dar corpo e vida ao contexto lírico. Ainda assim, a partir de dado momento, o enredo verbal passa a ser estruturado na forma de um dueto abraçado por uma brisa hipnótica e atmosférica que, curiosamente, mantém o ouvinte no domínio do senso de lucidez conforme a bateria vai produzindo seus punchs secos e súbitos. Chamando a atenção por explodir em um contexto rítmico-melódico pautado na cenografia do metal sinfônico, Finding A New Home bebe de boa utilização de bumbos com pedais duplos para criar pressão e pulsão. Dramática e minimamente rascante, a faixa é engolida por nuances nostálgicas viscerais perceptíveis especialmente pelos screamos efetuados pelo cantor, provando, assim, o seu caráter pinçante.
O sonar sintético que puxa a presente faixa explora um toque ácido e agudo que se envereda, inclusive, por inclinações açucaradas. Proporcionando a fluidez da canção para uma segunda etapa introdutória profundamente marcada pelo cinemático e pelo atmosférico, ele encaminha o ouvinte para o contato com uma base rítmica que faz com que a canção ofereça estímulos curiosamente dançantes. Se inclinando para um primeiro verso pautado na presença de sonares eletrônicos que chegam a flertar com o universo da EDM, First Light (Sol 2) tem uma natureza transcendental profundamente extasiante. Impulsivamente melodramática, a faixa chama a atenção por oferecer uma voz masculina que, durante o refrão, experimenta uma interpretação gutural e levemente cavernosa, conferindo, a ela, um tom de urgência emaranhado em bons tons de angústia.
O sintético, nascendo de maneira gradativa a partir da utilização do efeito fade in, se mostra como uma espécie de assinatura sônica do Pentrilox, em especial durante Apotheosis: The New Frontier. Sombria, bruta e um tanto rascante em meio ao uso intenso do bumbo de pedal duplo, a faixa se diferencia em relação às demais em razão da adoção de uma melodia mais agressiva e rascante, graças à distorção adotada pelas guitarras. De cadência mid-tempo, mas soando definitivamente acelerada, a faixa permite a presença do calor e da intensidade ao ponto de fazer o sangue do espectador fervilhar. Levemente linear, é preciso dizer, The Symbiotic Bloom é agraciada por um refrão intenso, impulsivo e explosivo em que o vocalista se arrisca, inclusive, em pronunciar os versos líricos diante de uma extensão vocal superior àquelas até então adotadas.

Os adjetivos que podem servir para descrever Apotheosis: The New Frontier são vários. Do sombrio ao intenso, o disco envolve o ouvinte em ambientes atmosféricos e etéreos com direito a camadas sônicas com profundidade espiritual ao mesmo tempo em que oferece momentos mais metalizados e agressivos que sugerem um tom de urgência. Fornecendo angústia e agonia como grandes sensos de suas narrativas, o disco ainda traz a dramaticidade como seu importante pilar.
Com sons hipnóticos e explosivos, o disco mistura, de maneira equilibrada, o digital e o orgânico de forma a combinar inclinações eletrônicas que flertam com o universo da EDM em razão de suas nuances agudas e envolventes. Ainda assim, o que rege, de fato, o disco, é a sua natureza sinfônica, mas também sci-fi.
Dando ênfase às suas cinco primeiras canções por elas encapsularem, de uma forma mais nítida, os atributos até aqui listados, o disco ainda tem The Galactic Bridge como importante faixa de sua track list por apostar em uma cenografia mais metalizada. Esses títulos, portanto, evidenciam o fato de que Apotheosis: The New Frontier se configura como um álbum sci-fi conceitual que, funcionando como uma espécie de antidepressivo digital, mapeia a triunfante evolução humana da gravidade à Terra e a um simbiótico futuro entre as estrelas.
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