Já me deparei algumas vezes com este projeto chamado Mahto & The Loose Balloons e o trabalho deles traz contrapontos muito bacanas. Trata-se de uma banda que aposta em minimalismos, mas detalhes intrincados nos arranjos, objetividade e técnica ao executar suas músicas, além de primar pelo rústico e erudito. Tudo em sua fórmula.
Como isso é possível é um mistério, já que é o grande mote da banda. Originários de Johnson City, Estados Unidos, eles lançaram em 2025 o disco “Knock Knock It’s The Loose Balloons”, que significou um bom passo na carreira. O disco foi gravado no Classic Studio em Bristol, Virgínia.
A banda é formada Mahto Addison-Browder como principal compositor, com contribuições de Will Diebold no baixo, Travis F. Welch na guitarra, órgão e bandolim, e Sam Love e Niko Graham na bateria. Pelo line-up podemos notar que estamos diante de um grupo que aposta em um som orgânico, certo? E é isso mesmo.
E a sonoridade orgânica, com sua ênfase no acústico, fica ainda mais complicada quando se trata de uma gravação ao vivo, que é o que acontece neste mais novo disco. Trata-se do EP “On Air (Live Radio Performances)”, que eles acabam de lançar.
Com oito composições próprias, o disco foi gravado no ambiente imersivo de estações de rádio ao vivo, cada faixa captura a essência da jornada musical de Mahto, oferecendo aos ouvintes um vislumbre do coração e da alma de sua evolução artística. Impressiona a qualidade das gravações, assim como a performance coesa da banda, que aposta numa mistura de folk, pop e erudito.
Aqui na ocasião, Mahto Addison-Browder cantou e tocou guitarra e piano. Ele é acompanhado por Will Diebold no contrabaixo e baixo elétrico. Niko Graham tocou bateria. Ella Patrick aparece tocando violino. Travis F. Welch também tocou guitarra.
Este EP foi extraído de três participações diferentes em programas de rádio. A primeira foi com JP Parson na Rádio Bristol 100.1, em seu programa Appalachian Travels. A segunda foi com Tea Wimmer para a campanha de arrecadação de fundos da WMMT 88.7. A terceira foi com Kevin Edwards na WEHC & WISE 90.7, em seu programa Appalachian Artist Live.
A emblemática “Systemic” abre o disco de uma forma diferente e um tanto quanto surpreendente, pois trata-se de uma faixa de impacto não imediato. Fato é que ela traz uma levada diferente, inspirada pelo jazz e tem certo ar descontraído, o que não é comum no repertório.
Tanto que “Buzzard”, a faixa seguinte, traz uma melodia mais intensa e um ar romântico digno dos tempos do ‘power-pop’ em seus primórdios. O piano dessa faixa é simplesmente influenciado pelos melhores momentos de John Lennon em sua carreira solo. Vale destacar que as duas primeiras músicas foram gravadas na Rádio Bristol.
“Onions”, uma reflexão caprichosa, porém comovente, sobre a história da família, chega com leves toques de country, e uma pureza que se restringe quase a um violão com bases americanas. Enquanto isso, “Virginia Side” é a única representante do álbum mais recente e traz um violino magistral, onde mostra que a banda criou toda uma característica e abordagem própria. Essas duas canções foram gravadas no WMMT.
As quatro canções finais foram gravadas no WEHC & WISE. “Lockbox” é um folk country com os graves devidamente ressaltados, bases intensas de violão e uma interpretação um tanto quanto alternativa de Mahto, que dá uma guinada para algo enérgico, porém dramático.
“Archipelago” sem dúvidas tem uma das melodias mais belas do disco e caiu como uma luva na abordagem que eles a deram. A faixa também soa como uma das mais modernas, guardadas as devidas proporções. Nos remete diretamente ao pop rock dos anos 90, que infestavam (no bom sentido) as melhores rádios hits do mundo.
Por fim, temos “Waiting Room Blues”, do qual o nome entrega sua abordagem, mas não soa exatamente como imaginamos. A faixa prima por trazer o ritmo do blues, mas mantém a sonoridade focada no folk que moldou e uma melodia um pouco mais introspectiva.
Fechando o disco, “Sandblasted” é uma faixa que traz um rock alternativo acústico muito bem executado e que não termina com aquele ar de despedida e sim com a energia lá em cima. Aliás, uma boa e diferenciada escolha.
Ficou claro que a proposta da banda, onde cada faixa captura a essência da jornada musical de Mahto, oferecendo aos ouvintes um vislumbre do coração e da alma de sua evolução artística, funcionou muito bem. E tudo isso com objetividade, o que dá ainda mais ponto ao disco.
Porém, além de um repertório bem escolhido e a execução primorosa das músicas, a produção homogênea, que dá forma às canções e personifica ainda mais a identidade de Mahto & The Loose Balloons, com o advento da objetividade das faixas, deixa tudo aqui ainda mais prazeroso de se ouvir. Coisa linda!
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https://mahtobrowder.bandcamp.com
