Nashville, no Tenneessee, é reconhecida mundialmente como a capital do country, de onde alguns dos maiores nomes saíram e que se cultiva muito essa cultura. Apesar disso, existem outras vertentes por lá que podem até não ter o mesmo apoio midiático ou mesmo número de fãs, mas representam uma fatia valiosa do que se produz por lá. Nesse caso, refiro-me aqui ao músico virtuosíssimo de jazz/fusion Jon Von Boehm. Baixista de exímia precisão, Jon não possui muitos álbuns, embora seus projetos sejam incontáveis. Em 2014 um público maior o conheceu através de seu ‘debut’ autointitulado que trouxe uma pegada mais alimentada pelo experimentalismo, cruzando jazz, rock e funk.
O segundo álbum completo só veio em 2018, “Ortus”, com a mesma técnica, produção mais elaborada e fluidez mais crua na melodia. Ou seja, aqui, o baixista investiu mais na perfeição orgânica, deixando um pouco de lado arranjos mais complexos e alguns elementos sonoros que compunham o disco de estreia. Depois de 2021, quando lançou o EP “Hustle”, promovendo novo direcionamento com sua convidada Aly Cutter, passou anos sem apresentar novo material. No entanto, reapareceu em janeiro de 2026 com o single “Not Today”, abrindo caminho para o seu novo álbum “Reflections”.
Com uma produção superior a tudo que Jon tinha feito antes, o terceiro álbum chegou em 1 de março trazendo dez faixas. A exemplo de “Not Today”, que abre o repertório, todas as outras músicas mergulharam em um recipiente provido de arte e beleza. Nota-se em “Reflections” a maturidade que o baixista parecia procurar desde os primeiros lançamentos. Embora seus antecessores dispunham de elegância, simetria e empolgação em cada solo, aqui essas qualidades escalaram degraus maiores. O baixo, como sempre, protagonista, mas em músicas como “Spin to Win” e “Airtight” instrumentos como o sax encontram destaques merecidos. Dessa maneira, Jon percorre seu caminho versátil.
Ouvimos em “Reflections” uma relação mais adulta com a música, com melodias mais contundentes, embora a complexidade ainda seja uma de suas características principais. Uma das músicas mais soltas, “Lucky Me”, traz sua amiga Aly provando que a parceria no último EP deu muito certo. Na sequência, passamos por boas experiências sempre regadas a um padrão de qualidade peculiar. Com uma cozinha afiadíssima – e isso não se aplica apenas ao baixo –, onde a condução do ritmo é deslanchada com maestria, não sobra nenhuma regra que se aplique à perfeição. “Reflections”, dentre outros adjetivos, é um álbum que está acima de mera simpatia.
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