É, alguns trabalhos têm por trás de sua beleza muita coisa que mal imaginamos e essas coisas nem sempre são mil maravilhas. Inspirações podem vir de momentos mais sofridos, de superação (principalmente), pois música também é resiliência. E temos em mãos algo do tipo e sendo uma estreia, o que deixa tudo ainda mais interessante.
A pianista e cantora canadense Michelle Lynne, que chega agora ao seu primeiro disco, é um destes casos. O disco chega com um tema onde ela explorou momentos ao superar uma fase difícil da vida. Intitulado “One Step at a Time”, o álbum explora temas de cura, natureza e água, simbolizando renovação, renascimento, purificação e uma nova fase.
Por anos, Michelle questionou qual identidade artística apresentaria primeiro – formada como pianista clássica com mestrado pela Universidade de Montreal, era lógico gravar um álbum puramente clássico. Escrito e gravado ao longo de vários anos, o projeto tornou-se um veículo para processar emoções e escolher a autenticidade em vez da perfeição.
E temos um disco cheio de sensibilidade, que mostra como ela é uma pianista versátil, além de uma cantora de mão cheia. Tudo muito bem produzido e composto, com as estruturas bem distribuídas, e uma abrangência de estilos que não faz com que ela perca sua identidade, muito pelo contrário, ela ajuda a expandir.
O trabalho prima tanto pela qualidade, que as 12 faixas do disco, distribuídas em quase cinquenta minutos, se equilibram em um sarrafo posto muito acima da média, deixando até dificuldades para que possamos destaca-las.
Mas, é claro que algumas composições têm atrativos imediatos, como é o caso da épica e belíssima “Empty Promises”, segunda do disco, que consegue, além de um instrumental atemporal, destacar muito bem a voz de Michelle. O trabalho influenciado pela new age, como “I’m Here”, também chama atenção, e aumenta um pouco o nível da energia.
Por fim, “In The In-Between” é outro grande destaque, provando também as habilidades e Michelle em ressoar como algo atemporal, numa veia moderna, mas que não deixa as raízes de lado. O disco ainda prima por contar com três versões das faixas regulares em piano, o que ajuda a dar um norte ao ouvinte.
Fato é que com “One Step at a Time”, Michelle Lynne consegue superar a barreira da estreia e ainda oferecer música com base no piano ao universo pop. Tudo isso moldado em suas reflexões e redefinindo a sonoridade clássica do instrumento. Um primor!
