A inteligência artificial está tomando proporções inimagináveis. Não se sabe mais qual será o futuro de premiações como o Grammy Awards, por exemplo, pois já é possível criar e executar melodias sem o uso do cérebro humano. O mais espantoso disso é saber que isso é uma coisa que ainda engatinha, ou seja, é uma realidade ainda em desenvolvimento. Dentre os benefícios da IA no universo musical, está a procura de compositores por cantores que, muitas vezes, negam suas canções. Hoje, quem compõe música procura alguém para cantá-las se quiser, pois a IA oferece ao autor várias opções de bandas e vocalistas geradas por softwares.

Como tudo isso ainda é algo novo na vida do ser humano diante de sua história com tecnologia, podemos dizer que Jason Graves é um dos pioneiros nessa recente arte de compor narrativas e deixar o computador criar a música. Este canadense de Alberta deu ao seu projeto o nome de Mogipbob, e através dele publicou a primeira canção “Things That Make Me Cry” (2025), uma balada meio country impulsionada por vocais introspectivos e arranjos que levariam meses para criar. Alguns dias depois, Mogipbob ressurge com mais um single, dessa vez mais puxado ao r&b chamado “Corn on the Cob” (2025).
Ao avançar mais alguns dias, Graves resolveu chutar o balde e, em 20 de outubro de 2025, tirou de sua gaveta mais doze composições e lançou o álbum “High on the Hog”. Nele, seu projeto Mogipbob situações vividas em uma pequena cidade, explorando alegria e introspecção com vários ritmos. Todas as músicas, como a canção título, possuem espectro radiofônico que possibilita difusão em rádios de setores variados. A exemplo de “She’s Too Hairy for Me”, o álbum nos passa boa sensação como a de estar em casa com a família, curtindo um pic-nic de domingo no jardim.
O repertório apresenta vertentes como pop, folk, country moderno e r&b, estes parecem ser estilos da preferência de Graves. No entanto, músicas como “Blame the Cat” são capturadas por um clima de música dançante que beira o house. A nostalgia, nesse casso, é um ponto adotado pelo Mogipbop, embora as músicas soem modernas e sofisticadas, o projeto parece sempre buscar nos anos 70 e 80 inspirações para a fomentação das melodias. Em “Eileen” a mistura de country com americana serve de guia para esse entendimento. Guitarra, harmônica e vocais que se aproximam de um Bruce Springsteen podem te levar a décadas de regressão.
Graves, que é funcionário da prefeitura de Grande Prairie, tem como principal inspiração para suas narrativas, o cotidiano de seu próprio lugar. Em músicas como “Even Steven” podemos perceber um clima de descontração guiado por uma percussão mais solta. Essa atmosfera de brisa no rosto é reportada também pela execução de metais e coros pontuais. Da baladinha funky para outro grande momento da música dançante, “Gimme That Dirty Bird” pode te tirar da cama logo cedo para correr e se exercitar ao longo da manhã. Esta é uma boa motivação para te acompanhar em academias. Aproveite!
Está a faltar groove? Não está mais, pois “She Thickened Up” traz mais uma vez esse clima para o álbum, e junto com ele aquele cheirinho de coisa velha. Como o próprio compositor diz: “Meu novo álbum, High on the Hog, apresenta doze faixas originais que misturam folk, country e pop funk dos anos 70”, então não há o que discutir. E para não perder a direção, a música seguinte “Soap on a Rope” ainda traz mais da magia do groove. Esta é uma verdadeira sessão dedicada à rapaziada do black power e calça boca-de-sino. Uma obra que mistura empolgação, emoção e balanço.
Na sequência, o romantismo de “The Longest Goodbye” se apresenta como um sopro ao pé do ouvido. Melodias voláteis, refrão meloso e arranjos transcendentais fazem parte da melodia guiada por um vocal marcante e estrutural. Dos dedilhados de violão às partes de violino, tudo combina perfeitamente com a introspecção da letra. Não poderia faltar aquele rockão classudo e, aqui, isso está representado com “Them There Blazers”, uma música para você ouvir na estrada enquanto observa o horizonte à frente. Batidas cadenciadas e guitarras combinadas constroem a identidade dessa canção.
Adiante, você se depara com “Unemotional Rollercoaster”, uma música que explora o prazer de ouvir uma boa canção onde suas nuances combinam perfeitamente. Aqui, tudo funciona com perfeito equilíbrio, o pequeno riff de guitarra, os vocais simétricos e a história contada com perfeição e propriedade de quem sabe criar. Aliás, a parte das narrativas no álbum é o que se aplica como verdadeira essência desse lançamento. O momento final se dá com a marcante “When Summer Fades”, um título triste para uma música totalmente introspectiva. E aqui termina o álbum “High on the Hog”, um verdadeiro apanhado de melodia e criatividade lírica oferecidas por um recipiente versátil e útil para o seu lazer.
Ouça “High on the Hog” pelo Spotify:
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