Saudações a todos os leitores que acompanham as publicações do site Music for All, este instrumento brasileiro de comunicação que oferece espaço às mais diversas expressões musicais. Aqui, a honestidade é o nosso principal alicerce e como trabalhamos com a linguagem musical, sobretudo análise, é essencialmente necessária a opinião sincera de cada redator. Nesta vitrine, passam por aqui vertentes de toda sorte, desde o mais orgânico rock de garagem ao som mais puritano, angelical e sofisticado de compositores clássicos. E é nesse campo – eu diria terreno – mais polido que apresento hoje uma das obras-tributo mais elementares de 2025, “Ravel: Sonatine” de Rina Kharrasova.

Como artista, Kharrasova desenvolveu o amor pelo piano clássico, embora suas habilidades como musicista e compositora, lhe permitem também dominar a área vocal. Isso, por conseguinte, justifica a sua afinidade por repertório lírico e narrativo. Atualmente, morando em Miami, Flórida (EUA), a jovem compositora veio da Rússia, onde se formou no Conservatório de Moscou. Seu interesse pelos compositores clássicos da era moderna não se aplica apenas em Joseph Maurice Ravel, pois em seus perfis nas plataformas digitais conferimos também releituras para composições de Piotr Ilitch Tchaikovski. Em “Ravel: Sonatine – A Refined Portrait of Early Modernism”, subtítulo que faz questão de colocar, a pianista insere seu esplendor e elegância, construindo em cima disso a sua marca.

Em março de 2025, saiu nas plataformas de streaming de Kharrasova, simultaneamente à plataforma do próprio francês – obviamente administrada por um amante de sua obra –, a versão da compositora e pianista para “Ravel: Sonatine”. Imediatamente, fiquei impressionado com o material enviado, pois, ao dar uma breve olhada no conteúdo, vi que, além dos três momentos da sonata proposta, haviam só de lançamentos de 2026 dezenas de álbuns, alguns deles com mais de cem faixas sobre a obra de Ravel. Algo que transcende os limites humanos, já que estamos em fevereiro. Ou seja, o ano acabou de começar.

Entendi, então, que o link reportava à plataforma do saudoso compositor, então me redirecionei à plataforma de Kharrasova e, ao lado do single desta resenha, estava a sua versão para “Dumka, Op. 59” de seu conterrâneo Tchaikovsky. A “Sonatina” de Ravel começou a ser escrita em 1903 e sua conclusão em 1905. Nesse meio tempo, o francês chegou a publicar a sua suíte “Miroirs” (1904 – 1905). A primeira apresentação se chama “Sonatine, M. 40: I. Modéré” que, com delicadeza crucial, Kharrasova executa em perfeito estado.

Aos amantes da música clássica e universal, a interpretação dessa obra pela ótica da musicista, traz um apelo mais profundo. Ou seja, não está aqui uma sonatina para ornamentar o espaço onde se encontra a sua audição. A performance de Kharrasova é entregar aos ouvidos do admirador, uma percepção mais profunda onde cada nota ressoada seja capturada e percebida. Em outras palavras, a intenção é entregar a música com seu grau de complexidade esmiuçado, onde o ouvinte perceba as nuances, o baile dos dedos e até mesmo a respiração das teclas. Uma audição limpa, leve, mas sem desprezar a dinâmica.

Um dos exemplos fieis do estilo de Kharrasova está nesse single, pois as notas que a artista extrai de seu instrumento parecem seguir uma sequência de fila indiana. Cada movimento um significado, cada acorde uma surpresa. Um verdadeiro menu de rodízio de pratos finos, onde cada um possui a sua importância e o seu impacto, assim são os acordes de músicas como “Sonatine, M. 40: II. Mouvement De Menuet”, o segundo movimento dessa obra cujos parâmetros de qualidade nunca expiram. Pelo contrário, se mostram como referência para gerações eternizarem e atentarem aos seus detalhes. Uma verdadeira criação digna de um panteão, traduzida aqui por um ser humano talentosíssimo.

O estilo moderno da pianista não desafia o gosto dos amantes mais conservadores, entretanto, sua abordagem foge de paradígmas rudimentares quando a produção entrega foco e evolução. Foco no sentido de concentração em toda a execução, o resultado disso é uma interpretação insenta de fugas e imersa na simetria. Em paralelo, vem uma produção nitidamente sofisticada com abertura para uma instrumentação livre, cristalina e seletiva. Com isso, Kharrasova promove aqui um encontro do século XIX com o XXI através de uma das linguagens que mais aproximam nações e culturas, a música.

Agora, não pense que essa homenagem digna de coroação está disponível apenas para audição. O Projeto Tonraum, que inclusive faz a distribuição desse single pelas plataformas de streaming através do selo TonRaum Records, integrou um movimento desta sonatina em uma cena de ensaio, exibida por realidade virtual. Dessa maneira, confere-se a moldagem do ritmo, foco e percepção espacial da execução. Imagina você sentindo o movimento de cada nota da fração pulsando de acordo com o coração? É o que isso pode levar. Para encerrar essas considerações, “Sonatine, M. 40: III. Animé”, que é o último movimento, transmite na rapidez dos acordes, uma melodia marcante que resume toda a paixão e dedicação de Rina Kharrasova em seu papel de artista.

Ouça “Ravel: Sonatine” de Rina Kharrasova pelo Spotify:

Saiba mais em:

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