O stoner rock e o stoner metal, que praticamente andam na mesma linha se distinguindo apenas pela diferenciação no peso, são estilos que frequentam o mainstream de forma discreta, mas estão lá. Porém, no underground, além de prolíficos, com muitas bandas apostando no gênero, têm um bom público e fiel.
O rock alternativo é algo abrangente. Em sua amálgama cabe diversas coisas, inclusive o grunge que, ao lado do britpop, seja a maior expressão de subgênero dentro de outro subgênero. Todos são rótulos, possuem seus requisitos, não são necessários para a música, mas são muito para os fãs se situarem.
O Circle of Stone, originário de Atlanta, Estados Unidos, é um duo dinâmico formado no final de 2023 pelo talentoso Russell Stewart, do Reino Unido, e Joe Garmon, dos EUA. Basicamente, em sua sonoridade, fazem uma mescla de rock alternativo com o stoner rock, mas nunca fechando seu leque, muito pelo contrário.
Com Stewart nos vocais, guitarra rítmica e baixo, e Garmon nas guitarras solo e rítmica, além de J.R. Mysterion na bateria e percussão, o Circle of Stone lançou, no Natal de 2025, o seu aguardado segundo álbum, “Ghost of Tomorrow”. O disco, além da sonoridade magistral, tem uma premissa que vai agradar e muito os fãs da verdadeira música.
O álbum é uma ousada exploração da filosofia anti-IA, demonstrando o compromisso da banda em criar música autêntica, produzida por músicos de verdade. Gravado em diferentes continentes, com produção musical realizada principalmente no JEC Studio, nos EUA, e vocais capturados no norte da Inglaterra, o trabalho é um testemunho da dedicação e criatividade da banda.
Com temáticas diversas, se utilizando de metáforas a encarar desde a realidade ao surrealismo, a banda traz inspirações que instigam o ouvinte, tais quais Black Sabbath, Soundgarden e Metallica. Mas, claro, com a personalidade do duo em primeira instância.
São 10 faixas, e o trabalho abre com o stoner rock de “Fight Back”, que revela um riff de guitarra inspirado em Tony Iommi (Black Sabbath), um andamento na linha do doom metal e já empolga o ouvinte com seu peso e melodia sombrios.
“True Intensions” ganha mais dinâmica, mas mantém a veia stoner intacta, já flertando com o lado mais alternativo, que dá as caras longo à frente. A música prima por um refrão diferenciado e um pós refrão que se torna seu principal chamativo. O rock alternativo inspirado na veia mais sombria do grunge, já aparece em “Escape Decay”, onde o fã de Alice In Chains vai encontrar vestígios da banda com direito a vocais quase guturais.
Já “Never Forget” entrega uma mescla interessante entre stoner, doom metal tradicional e alternativo como se fazia nos anos 80, com direito a vocais reverberados e uma pequena dose de clima épico, que enriquece muito a música. Chegando no final da primeira metade, temos “Broken Soul”, o refrão mais pegajoso e a música mais acessível até então, porém, sem perder a pegada um tanto quanto empoeirada que caracteriza os timbres da banda!
Abrindo a segunda metade do disco, que seria equivalente ao lado B em um LP, eles oferecem uma semi balada sombria, que honra o grunge noventista, intitulada “Leap of Faith”. A faixa encanta pelo instrumental típico e a abordagem saudosista, mas não datada da banda. Já em “Break The Silence”, a banda visita outra faceta do grunge, aquela mais dinâmica, com energia levemente pra cima e que flerta com o hard rock, principalmente no refrão.
O heavy metal, ao menos no riff magistral introdutório, pede passagem em “Save Your Lies”, música que também possui uma cozinha com uma pegada mais intensa e vocais sombrios, mostrando que o Circle of Stone está prestes a invadir fronteiras. O mais bacana disso tudo é que eles conseguem essa versatilidade sem deixar sua identidade de lado.
Mantendo o peso e a dinâmica, “Outrage” se mostra uma faixa intensa, primando pela velocidade e agressividade, mantendo o lado mais sombrio apenas nos vocais. Talvez seja a faixa que mostre um trabalho de guitarra mais técnico, com variação nos riffs e solos providenciais.
E por falar em versatilidade, o Circle of Stone faz tudo isso na última faixa, “Cast Down Heart…Titan”, encerrando o disco com chave-de-ouro. A música prima por trazer mais de cinco minutos onde transitam pelo grunge, passam pelo doom metal e encerram em um heavy metal estonteante, beirando o thrash com riffs palhetados e solos memoráveis. Parece uma deixa e tomara que seja!
Por fim, fazendo um balanço geral de “Ghost of Tomorrow”, temos primeiro que celebrar a qualidade da banda. Investindo em uma mescla tradicional de estilos, mas colocando sua própria personalidade e ainda trazendo alguns elementos de outros, a produção do disco é algo que ajuda muito, pois a organicidade que encontramos nos timbres são pouco vistas hoje em dia, em meio a tanta artificialidade. Um oásis!
https://open.spotify.com/artist/23uU7ckSm03ite2pDDvnT5?si=BOIitw-qTG2z23Wk3xUUJw
https://www.instagram.com/circleofstonemusic?igsh=Y2xwdHoyemw0eWl4
