Para se fazer um disco interessante, as habilidades requeridas são bem específicas. Quando o coletivo The Iddy Biddies se formou em Berklee, ele tinha um objetivo sonoro específico: unir a dissonância crua e íntima do indie-pop com a grandiosidade narrativa da música americana. Liderado pelo cantor e compositor Gene Wallenstein, o segundo álbum do grupo, este “The World Inside”, representa um salto significativo nessa busca.
O conceito também é bem específico, já que o disco se inspira na narrativa literária do The Decemberists e na complexidade harmônica “beatlesca” de Elliott Smith, explorando as máscaras que usamos para navegar em um mundo caótico.
E que baita trabalho temos aqui em mãos (lembrando que o álbum só será lançado oficialmente em março e foi disponibilizado previamente à imprensa). Além da qualidade das composições, “The World Inside” é um disco que prima por uma sonoridade magistral graças à excelente produção, com uma robustez impressionante e timbres graciosos.
Apontando os destaques, começamos com a emblemática “Mr. September”, que traz uma temática inspirada no clássico “Alice no País das Maravilhas”, originalmente escrita por Lewis Carrol em 1865. A música traz uma base no violão acompanhada por um baixo elétrico sintomático e no fundo ainda traz acordeom e teclados fundamentais. Sem dúvidas o refrão chama muito atenção.
A faixa título traz esse acordeão ainda mais em evidência e incrivelmente traz uma modernidade indie à parte. De andamento cadenciado e melodia levemente sóbria, a música prima por sua aura graciosa, percussão auxiliando a bateria e um piano discreto muito bem sacado, que a deixa toda requintada.
A energia de “Fortunate Sons” e sua guitarra que quase chora são os grandes motes de uma das faixas mais interessantes do disco, que bebe na fonte do rock básico e mais uma vez traz um refrão cativante, tudo muito bem desenvolvido.
Claro que apenas essas três faixas não podem resumir a grandiosidade deste disco, que transita entre o pop, o indie pop, e ainda nos entrega flertes claros com o folk moderno, power pop e rock alternativo, sem se prender em nenhum deles, mas reformulando a identidade do The Iddy Biddies.
Liricamente o álbum percorre uma série de narrativas vívidas, muitas vezes surreais, onde a banda cria histórias que soam como ecos da nossa humanidade comum. Não são apenas canções; são observações das “tolices e fraquezas” encontradas no cotidiano. Uma delícia de disco, que já será lançado com o jogo ganho.
