Todo mundo, no mínimo, ouvir falar do movimento ‘flower power’. Ou melhor, a maioria não viveu (incluso este que vos escreve), mas boa parte conhece, alguns ouviram falar e outro, principalmente os mais novos, acredito que nunca sequer obteve menção. Mas, ele existiu e mudou um pouco os rumos da música, apesar de não ser exclusivamente musical.
O Flower Power foi um lema e movimento cultural dos anos 1960, ligado à contracultura e aos hippies, que pregava a não-violência, o amor e a paz como forma de protesto contra a Guerra do Vietnã, o autoritarismo e o consumismo, usando flores como símbolo central, em roupas, cabelos e protestos pacíficos, inspirando uma era de liberdade, música (como o rock psicodélico) e uma forte conexão com a natureza.
Apesar de ser inspirado contra a guerra do Vietnã em específico, borrifou também pregar a paz por outros lados. Moveu multidões e também artistas, de diversas linguagens, com grupos bem característicos musicais. Neste último caso, trazendo uma sonoridade inspirada em elementos orgânicos, acústicos e trabalhos vocais intrincados, muitas vezes com vozes em coro e afins.
Mas, nunca uma regra neste contexto musical. Até porque artistas como Jefferson Airplane, Grateful Dead, The Doors, Jimi Hendrix Experience, The Mamas & the Papas, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin e até mesmo os Beatles, nem sempre por vontade própria, fizeram parte desse movimento. Ou seja, alguns bem elétricos, assim podemos dizer.
Pois bem, estamos falando sobre isso, porque o grupo que temos em mãos parece ser bem inspirado, ao menos musicalmente, por bandas dessa época, em especial os adeptos do folk e veias mais clássicas. Trata-se do Dark and Twisties, oriunda de Swansea, no País de Gales, que chega com seu disco de estreia “Ungrateful Women”, que acaba de ser lançado e, para nossa felicidade, já está disponível.
Sarah Birch (vocal, teclado), Kate Ronconi (vocal, violino), Sarah Passmore (vocal, guitarra), Danny KilBride (vocal, baixo) e Huw Rees (bateria) integram o grupo, que traz uma versatilidade sonora, porém criando uma identidade forte e trazendo as melhores referências em 11 graciosas faixas. E, mesmo com um mote, não deixam de nos surpreender no decorrer do disco.
Gravado no Mwnci Studios, ‘Ungrateful Women’ é um disco que prima por trazer uma produção muito atual, que capta todos os sons possíveis, explora muito bem a tecnologia atual, mas não cai em armadilhas modernosas. O disco reflete um som orgânico e atemporal.
Já podemos ouvir isso na faixa de abertura, “This Time”. A música tem uma base no violão, que de forma sublime acompanha um piano cheio de expectativa, ganha um andamento cadenciado e opta por um trabalho vocal dobrado. A música traz uma paz incrível e ainda conta com um fundo clássico que enfatiza isso.
“The Lonely” é uma mescla de folk tradicional europeu com leves toques de americana, onde um violino bem sacado deixa tudo mais sofisticado. Enquanto isso, a primeira surpresa vem com “Questions” e sua leve eletrificada, mostrando que a banda pode soar moderna e ainda com vocais que nos remetem ao melhor da new age.
Para dançar num ritmo de country folk de vanguarda, Dark And Twisties oferece a emblemática “Oh Ma Belle”, que, além do trabalho instrumental impecável, traz linhas de voz espetaculares, mostrando um conhecimento de causa absurdo. Trabalho vocal que é mantido em “The Wild”, seguindo sua antecessora, mas com a dinâmica mais direta.
Como uma faixa de primavera, com o violino mantendo a pegada, mas um contexto de folk pop, “Random Acts Of Kindness” encanta com sua levada espaçada e arranjos riquíssimos em detalhes. Enquanto isso, “Grace and Dignity” é daquele tipo que o belo e o sublime ditam as melodias, soando como uma faixa mais acessível.
“Oh! Joana” é uma balada country sofisticada, com um piano magistral, que acompanha um ritmo levemente épico, servindo perfeitamente como uma trilha de paisagens montanhosas. Já “Procrastinantion” é uma música descontraída, com ritmo contagiante e diferenciado, dando um ar mais solto ao trabalho.
Chegando na reta final, o flower power pede passagem em “Ungrateful Woman”, que não fecha o leque, ganha contorno do folk e ainda bebe na fonte do country. Com vocais em forma de coral, as linhas encantam pela pureza e destaque-se aí a produção mais uma vez primordial.
Encerrando “Ungrateful Women”, a marchante e imponente “Flags” mostra o Dark and Twisties ainda versátil, sem perder sua essência, o que caracterizou a banda durante os poucos mais de 42 minutos desse disco fenomenal que, assim que acaba, nos faz querer apertar o repeat, principalmente com esse final épico emocionante.
Com uma temática que entrelaça histórias antigas e novas, a banda galesa prima por transportar isso para o seu som, que soa vanguardista em muitos momentos, mas nunca datado, mostrando a habilidade do grupo em fazer uma música atemporal e que pode ecoar para a eternidade em nossos corações.
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