Uma das maiores e mais abrangentes bandas de rock do mundo, o Motörhead, completou 50 anos de história em 2025. Sim, porque a banda pode não existir mais desde 2015, ano de falecimento de seu fundador Lemmy Kilmister, mas o legado dos britânicos é para sempre e sua importância idem.
O Motörhead ficou marcado por influenciar gerações de bandas durante esta década e de praticamente todos os gêneros e subgêneros do rock. Do hard ao punk rock, especialmente o thrash metal, o heavy metal tradicional, do qual eles foram considerados erroneamente como do movimento NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) até o metal extremo com o death e black metal, Lemmy e companhia foram seminais.
Não que o Speak for the Dead, que foi formado em 2024, tenha planejado lançar este álbum celebrando tudo isso, mas a banda de Santa Rosa, na Califórnia, é mais uma formação influenciada pelo Motörhead (e outros nomes como Discharge, Inepsy, Power Trip, etc) e chega com um novo disco provando isso tudo.
A banda formada por Jordie Hilley e Clay Prieto (que também fazem parte da formação atual da lendária banda de Oi! da Califórnia, Resilience), e contando com os extraordinários talentos vocais de Eric Lundgren (Hatchet, Axiom Collapse) e o promissor samurai das seis cordas Nick Parker, afirma que seu som é tão “sujo, rápido e tão alto que deixaria o próprio Lemmy surdo para sempre”.
Exageros à parte, temos em mãos a prova cabal dessa ousadia. Trata-se de um disco autointitulado, que debuta o grupo neste formato mais cheio. São dez músicas e pouco mais de meia hora, onde eles mostram tudo que aprenderam com suas referências, aliando isso à sua própria personalidade e deixando o ouvinte sem respiro nos próximos minutos do final da obra. Aliás, a dica é igual a da ressaca, tomar mais uma para recuperar tudo, antes que seja tarde.
Pois bem, em comum, encontramos um instrumental que bebe na fonte do punk, mas tem timbres metalizados, ficando nessa linha tênue tão tradicional no rock and roll. A abordagem é versátil, mas sempre primando pela velocidade e agressividade, deixando um alerta para ouvidos mais sensíveis.
Outro ponto em comum, é que as faixas, mesmo parecendo ter um contexto mais homogêneo, apresentam interessantes distinções e abrangências próprias, mostrando que eles conseguem manter a essência sem mudar bruscamente a sonoridade. E isso acontece desde a introdução, que une samples de uma cena e uma levada de guitarra que nos insere a esse mundo louco e agressivo do som da banda. A intro tem o sugestivo título de “Whatever It Takes…”.
A segunda faixa, que chuta realmente a bola, “The World We Know”, é uma música que traduz o que dissemos nos primeiros parágrafos, mostrando um instrumental poderoso, inspirado no Motörhead, e incrivelmente com uma melodia que cativa. Simplesmente poderosa!
“Fighting In The Pit” é extremamente rápida e agressiva, trazendo a veia hardcore à tona. Com a incursão de alguns discursos, a banda mostra que esta é uma de suas características. Nela os vocais beiram o gutural. Já “Rearview Riot”, apesar de manter a agressividade no vocal, prima por trazer um punk mais tradicional, com destaque para os backings ‘gang vocals’ no refrão e um baixo que derruba tudo, além de um solo magistral de guitarra.
“Headwound”, o marco da metade do disco, segue a premissa, com um ritmo intenso e guitarras frenéticas, mostrando que a banda não está afim de deixar a peteca cair. “Take Back The Streets” retorna ao motorchager, com um trabalho de guitarras que deixaria Eddie Clark e Phil Campbell orgulhosos, tamanho o aprendizado com suas cartilhas.
Falando em riffs, o inicial de “Lights Out” é de tirar o fôlego e a música soa incrivelmente numa quebradeira intensa, voltando com os ‘backings’ na linha ‘gang vocal’ e um trabalho insano de Eric, que urra sem dó. Logo em seguida vem “Dread”, que traz o hardcore de volta, com um pé no crossover, o que irá agradar fãs de thrash.
Falando em thrash metal, olha (ou melhor, ouça) a pegada de “Eternal Night”. Sua introdução é a mais próxima que a banda chegaria do Slayer, e quando pensamos que eles iriam mudar a premissa, a banda continua seu massacre, dando indícios de que conhece também Venom e Sodom, além de Metallica, pois os solos inspirados no ‘wha-wha’, acordariam imediatamente Kirk Hammet.
Por fim, fechando essa obra espetacular e dando um pouco de trégua aos ouvidos (não temos mais 20 anos), a faixa título tem uma sacada genial, trazendo praticamente tudo o que a banda destila no disco, mas ainda mais bem lapidado e com um andamento que insere um groove deixando tudo um pouco mais moderno. “Speak for the dead”, a música, parece uma deixa para o que o grupo trará daqui pra frente e, mesmo que não seja intencional, foi uma bela sacada! E que vocais insanos!
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