Não precisamos dizer o quanto a criatividade é importante na música e em meio a tantos lançamentos, ela não se restringe somente à criação de músicas. Ter criatividade em como e formato que irá lançar já é um grande passo e pode ajudar muito a chamar atenção do público. Falando como público, até porque de marketing entendem outras pessoas.
Pois bem, junte-se a isso a utilização de IA, a famosa inteligência artificial, como ferramenta e não criadora do processo (que aliás é o que todos deveriam fazer na arte). Tudo isso, por fim, com boa música, feita por quem entende e com versatilidade.
Isso se encontra na nova empreitada de Joe Hodgson, guitarrista natural da vila de Ballymagorry, no Condado de Tyrone, Irlanda do Norte. Com vasta experiência, ele carrega influências que passam no rock, blues e jazz, colocando sua personalidade à prova e gerando um molho saboroso de fácil degustação.
Sua nova empreitada é ousada, com uma mega produção e traz um conceito audiovisual inovador em seu formato. Por isso já é um trabalho acima da média. Mas, ao ouvir e assisti-lo, concluímos que não só pelo esforço, mas também pelo talento, Joe conquista o ouvinte e faz por merecer toda sua dedicação.
E ele chega com um filme, que podemos incluir como ‘média-metragem’, de pouco mais de 45 minutos, onde pela primeira vez, videoclipes convencionais são combinados com videoclipes gerados por inteligência artificial para representar um álbum inteiro em formato cinematográfico. Tudo sob a alcunha de “Fields of Redemption: The Movie | A Story of Love, Lust, Loss, Valour & Redemption”.
O filme foi dirigido pelo premiado diretor inglês David J. Ellison e estrelado por Hugo Nicolau, que recentemente atuou em “Modi – Três Dias na Asa da Loucura”, dirigido por Johnny Depp. O elenco também conta com a atriz Emma Duffy, natural de Strabane, e o próprio Hodgson.
“Fields Of Redemption” é uma história de amor, luxúria, traição, ilusão, bravura e vitória, contada através da lente da guitarra. Ela narra uma jornada épica por um multiverso atemporal, na qual um músico irlandês determinado parte em busca do amor de sua vida após seu misterioso desaparecimento.
O trabalho, além da sonoridade contagiante, traz algo que pode atingir o coração de muita gente, afinal de conta tem dramas em comum, tais quais, os sofrimentos amorosos que temos e suas consequências, que podem ser bem retratadas pelo trabalho, e não por coincidências, pois são coisas inerentes a quaisquer seres humanos.
O filme, em cima do roteiro. Traz cenas de diálogos, fotos, e até performances do guitarrista, ajudando a contar a história moldada, num misto de musical, cult e tudo que uma película do tipo entrega. No vídeo, temos cenas reais e algumas fantasiosas, o que dá aquele approach de mexer com a imaginação.
Mas, esse conceito não se resume somente a isso. É incrível como Joe Hodgson consegue transportar isso também para a sua guitarra. Instrumentalmente, obviamente acompanhado por uma cozinha e teclados providenciais, ele também dá vida à trilha sonora que também mexe com nossa imaginação.
No entanto, as composições são ainda mais versáteis que as cenas, onde ele transita por estilos e coloca abordagens diferenciadas. O disco começa com uma faixa portentosa, onde ele convida o ouvinte às suas habilidades nas seis cordas, mas jogando em prol da música.
Nela, um fundo dedilhado e uma cama de teclados pavimentam o caminho para um solo magistral, que pode encantar o mais cético. A faixa soa primordial para o que ela conceitua, que é uma abertura de um trabalho que é atípico, mas que não é de difícil digestão, muito pelo contrário.
No filme ainda iremos encontrar momentos reflexivos, muitas vezes ancorados por uma música que nos remete a arranjos natalinos, talvez corroborando com a época do qual vivemos. Os interlúdios são narrações, e em momentos mais reflexivos, Joe mostra sua veia blues jazzística, colocando guitarras mais limpas e um clima intimista.
Inclusive nestes momentos, ele adere a trabalhos vocais, que são mais esporádicos, porém necessários, mostrando também uma sensibilidade incrível de Joe. Em outros momentos mais intensos, ele encaixa um leve groove, mostrando beber também nas fontes do funk, inclusive inserindo teclados que emulam metais deixando tudo mais explosivo.
Os fãs de ‘guitar heroes’ também poderão se glorificar, afinal de contas, em alguns momentos mais futuristas, Joe investe nessa técnica de explorar inovações na guitarra, o que chama bastante atenção pelo contexto e também pelo fato de ele não se perder nisso. Tem para todos os gostos, e com uma produção orgânica e timbres muito bem sacados.
Falando nisso, além do belo roteiro, que é colocado em prática com maestria pelo diretor, elenco e pelo próprio Joe, o filme traz uma fotografia versátil, que veste bem a proposta, além de uma edição condizente e de ótima sincronia. Não tem como não admirar um trabalho como este!
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