Sejamos honestos, já que um artista vai apostar em um trabalho instrumental, que não exalta totalmente sua técnica e prima por trazer influências da cultura de seu país, que esse trabalho autoral seja original, não é? Pois bem, o espanhol Berekekê, que é um compositor musical radicado no sul da Espanha, dá aula de como fazer isso.

Ele iniciou sua carreira aos 10 anos de idade, com aulas de piano. Estudou história e ciências da música na Universidade Virtual de La Rioja. Multi-instrumentista autodidata, ele surgiu no cenário musical em 2003 com seu primeiro álbum, ‘MIRADORES’, uma mistura envolvente de ressonância instrumental eletrônica e tradicional.

Muitas coisas vieram depois disso e agora ele entrega um álbum onde, além de mostrar uma evolução natural, entrega novos elementos e mostra-se com ainda mais habilidade naquilo que lhe concerne, que é entregar música de bom gosto e com acesso a todos os públicos.

Intitulado “Estirpe”, o disco entrega duas composições distintas, mas onde ambas trazem um som orgânico, porém com elementos levemente sintetizados, que não deixam as faixas artificiais, porém as aperfeiçoa dentro de seus contextos.

Apesar de as músicas não contarem com letras, o disco tem uma inspiração temática que são civilizações alienígenas. Parte de uma ideia no fato de que foram outras civilizações (inclusive com contexto extraterrestre) que fizeram aos seres humanos como cobaias. Talvez explique um pouco do clima tenso das canções.

Ele entrega composições que primam pela atemporalidade, onde consegue colocar elementos diversos se entrelaçando em 12 faixas contemporâneas, mas que não deixa de lado a veia vanguardista, que é inserida por meio de orquestrações eruditas. Difícil mesmo é destacar uma outra, pois elas se complementam e o repertório também soa bem equilibrado.

Mas não podemos deixar de mencionar “Divertimento para cámara y androide” que é uma composição cheia de unicidade e soa divertido dentro dos parâmetros do artista, com direito a elementos percussivos típicos, além de “Transfusion”, que é uma das mais próximas do contexto pop e “Argonautas fugitivos sobrevolando Perseidas”, que fecha o disco de forma magistral e densa.

“Estirpe” ainda traz uma capa bem interessante. Trata-se de uma das grandes obras do artista Moisés Hergueta Borrego. Ela capta a ideia da submissão, levando ao primeiro plano ao dominador e casa perfeitamente com a temática do trabalho. No final das contas, o espanhol consegue passar sua mensagem com um trabalho que une artes plásticas e música requintada.

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