Entre instantes em que a guitarra se apresenta perante uma desenvoltura aconchegantemente aveludada e outros em que o violão, no primeiro vislumbre da base melódica, marca a atmosfera com seu singelo frescor, a canção é tomada por uma densa, mas não pegajosa, camada de melancolia. Contagiante mesmo diante da sua postura introspectiva, a faixa passa a se valer pelo seu escopo de extrema delicadeza.
Quando o enredo lírico tem seu início devidamente demarcado, o ouvinte se surpreende por entrar em contato com uma voz masculina levemente fanha que, na posse de Sergio Froes, muito além de trazer o português como seu idioma padrão, surge em meio a pronúncias que muito rememoram aquela possuinte por Cazuza. Serena e com capacidade para soar até mesmo lacrimal, Por Que Não Somos Eternos? discute tanto a beleza quanto a agonia da passagem do tempo.
