O punk rock que teve o seu auge em 1977 por bandas do Reino Unido, ainda hoje influencia bandas de diversos estilos pelo mundo à fora. Na Alemanha não é diferente, em Monique o músico Claudiu Vancea absorve parde dessa influência e a transforma em música. A sua estreia nas plataformas de streaming aconteceu em 2023 com o projeto Ramblin’ Vision, cujo single “The Sun” e seu lado B “Wrong” fizeram as honras. Nestas canções, o alemão já mostrava a sua intenção quanto a sua participação na cena undergrund, que é de compor música crua, direta e visceral. Poucos dias depois chegou o álbum “Rock Your Life” com onze músicas inéditas, seguindo à risca a proposta inicial.

No ano seguinte, o segundo álbum “Decor”, ampliou o repertório com mais canções inéditas, mas também mostrou um pouco mais de versatilidade. Ou seja, além da habitual velocidade e riffs mortíferos, o Ramblin’ Vision trouxe mais melancolia em suas músicas. Isso inseriu em sua carreira mais diversidade, embora a essência punk seja evidente em todo o disco. Seria inevitável, nesse caso, que Claudiu Vancea fosse visto como dos compositores mais viscerais dessa geração, levando em consideração o seu trabalho independente pela cena.
Em 3 de novembro de 2025 chega às plataformas digitais o terceiro álbum do Ramblin’ Vision, “Under the Sun” com dez canções, algumas delas conhecidas como “The Sun”. A música que apresentou o Ramblin’ Vision ao mundo, neste novo trabalho, chega em uma nova versão bem mais orgânica, demonstrando que o projeto subiu alguns degraus na agressividade, acidez e também em produção. Aliás, uma coisa que você precisa saber é que Claudiu não é apenas o homem que compõe as músicas deste projeto. Ele também é multi-instrumentista, ou seja, toca todos os instrumentos, além de produzir as músicas. Isso sim é seguir a filosofia do “faça você mesmo”
Além do estilo punk rock, o Ramblin’ Vision incursiona por outras vertentes, como o indie rock, grunge e outras adversidades do rock’n’roll. Apesar de o som ser bem cru, os vocais ácidos e a produção mais honesta possível, algumas canções apresentam melodias de fino acabamento como “Lost in Time”. Esta é uma das canções inéditas de “Under the Sun” que mostram um pouco da evolução do projeto em relação aos trabalhos de 2023. Uma música direta, porém cheia de harmonia acaba por beneficiar o lado versátil do Ramblin’ Vision que não acaba por aí.
É hora de falarmos sobre a seção rítmica e, neste quesito, é inegável que a bateria se destaca pelo nível de técnica. Em músicas como “Like I Fall Down”, vemos que o dinamismo nas batidas segue certo padrão que acaba inserindo mais groove. Aqui também há um solo muito legal que segue os paços da melodia. Dessa maneira, podemos dizer que o grunge dos anos 90 está bem presente nessas linhas de guitarra. A música seguinte, que é uma versão mais apurada de “Wrong”, é bem mais seca do que a original lançada em 2023, onde o baixo é mais proeminente.
A relação de faixas de “Under the Sun” também abre alas para o hardcore passar. Este, por conseguinte, vem com “Run” cujo título já inspira a correr e assim os riffs conseguem interpretar a mensagem com velocidade. Tudo bem que a melodia vocal é mais pausada, no entanto, a energia que emana é de puro poder. A sua sucessora, “Infinity” também é uma pancada hardcore, mas com linhas melódicas mais definidas. No entanto, a energia que sentimos ao ouvir as distorções de sua guitarra é tão vibrante quanto um choque elétrico. Uma música boa para o pogo.
Não há um único fã de bandas como Ramones, Motörhead, GBH, The Exploited, Dead Kennedys, Rancid etc. que fique parado ao som de canções como “A Time Before”, uma das que mais se identificam com o punk rock. Riffs despojado, poucos acordes e um inglês com forte sotaque alemão. Da mesma forma segue “See You Tomorrow”, um passeio pela versatilidade do Ramblin’ Vision que, aqui, põe todos para dançar freneticamente ao som do refrão. Eis aqui mais uma execução para aquecer moshes pelas pistas de casas de show. Melodia bem sacada, riffs bem direcionados e uma canção superempolgante é o que você pode extrair daqui.
Os momentos finais do álbum começam a ser contados com “Too Much”, uma aula de cadência, força e cativação sonora. O que sentimos até aqui é que Ramblin’ Vision mantém uma pegada inegociável, ou seja, sempre mantendo a direção e sem quebrar o ritmo. Características básicas da música punk. A última execução está retratada em “Walk in the City”, com a mesma essência e postura de que se testemunhou em “Under the Sun”. Vários adjetivos servem para caracterizar este ‘full length’, mas certamente “energético” deve ser unanimidade entre os ouvintes. Um álbum apimentado, cheio de energia e impiedoso quando o assunto é velocidade.
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