A canção já tem seu início marcado por uma paisagem sônica sensual, solar e viciante. Agraciada pela presença de uma voz feminina cuidadosamente rouca vinda de ROWLEY, a faixa ainda se destaca por contar com a presença de um baixo de groove saliente e consistente. Com direito a uma guitarra adornada pela reprodução dos wah wahs de forma a engrandecer seu swing, STOP! é uma composição inteiramente pautada na paisagem sônica do funk que abraça um lirismo que destaca a incapacidade de controlar certos ímpetos incômodos.

Diferente daquilo que foi vivido na faixa anterior, To Be Me coloca o ouvinte perante um ecossistema sedutoramente intimista que, mesmo assim, é agraciado pela presença da sensualidade, mas que, aqui, se apresenta de forma mais contida. Diante de um compasso rítmico calcado no andamento em 4×4, o ouvinte percebe que o blues é a base de sua desenvoltura estrutural. No que tange o lirismo, diante de melismas delicados e muito bem executados, a cantora expõe um sentimentalismo pungente que chega a flertar com o torpor.

Ainda que a guitarra se apresente diante de uma melodia lexicalmente aveludada, o ouvinte invariavelmente identifica chiados que conduzem a sonoridade para pitadas de uma crueza nítida. Ainda assim, conforme se desenvolve, a faixa escapa dessa textura ao passo em que explora sua sensorialidade melancólica curiosamente pacificante. Diante dessa arquitetura, que tem a tristeza associada com um toque reflexivo introduzido pela postura do saxofone, A Peaceful Retirement explora uma emoção tão sincera e pungente quanto aquela de To Be Me, mas, aqui, sob a ótica do soul.

Seu início é tão solar quanto o de STOP! Puxada pelo baixo e sua sensualidade confiante irreverente, a canção acaba mergulhando profundamente no compasso sincopado e no caráter provocativo de sua sonoridade introdutória. Novamente embebendo na paisagem sônica do funk, ROWLEY caminha por entre camadas de um veludo adocicado ofertados pela reprodução do sonar do fender rhodes pelo teclado. Saliente e dinâmica, Move On também flerta com nuances marcantes do soul em razão da forma como a cantora pronuncia determinadas palavras que levam o ouvinte a entender que a faixa trata de resiliência e superação.

Pode até ser um EP. Pode até se dizer que é um extended play enxuto por conter ‘apenas’ quatro faixas. Mas a verdade é que Anxious Soul surpreende pela sua profundidade emocional, pela sua qualidade sonora e pela sinceridade cirúrgica que ronda todos os seus escopos líricos.

Trazendo ROWLEY na máxima comprovação de sua versatilidade artística, uma vez que o material caminha por paisagens sônicas que abrangem o funk, o blues e o soul, o EP brilha em sensualidade e visceralidade. Com lançamento aguardado para 05 de dezembro, Anxious Soul esboça a coragem da cantora em usar, dele, como um meio de dialogar sobre colapso nervoso, sobre seu diagnóstico autista e sobre a consequente e desastrosa busca por cura.

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