Sucedendo ao álbum “We Are The Angels” (2021), o novo ‘full-length’ de All I Live For se chama “Into The Ether”. Para este trabalho, o quarteto inglês deu uma inovada, mas preservou a essência que o destaca entre bandas de metal melódico. Em função disso, os britânicos mantiveram na equipe técnica o produtor e engenheiro de som Gavin Lurssen, ganhador de Grammy e homem requisitado por bandas do calibre de Foo Fighters, Guns N’ Roses, Pink Floyd, Lynyrd Skynyrd, Mötley Crüe e até da série Game of Thrones. Nesse sentido, músicas como “All Your Pain”, que inicia o repertório, possuem poder esmagador.

“Into The Ether” é um álbum que tem seu nível de peso, mas a banda não se concentra apenas nisso. Há algumas músicas como “Tethered” que você se animará logo no início, pois os riff inicial combinado à pegada da cozinha, formam uma seção eletrizante. Uma música que quebra o gelo logo nos segundos iniciais, entretanto, há também seções melódicas que vale destacar o solo e a performance vocal. Ainda assim, o lado mais estridente da banda consegue chamar mais atenção com urros ríspidos e agonizantes, acamados por linhas mais pesadas. Pode-se dizer que essa música é dividida em três partes e, em cada uma, uma razão para faltar o fôlego.
Se procurarmos um estilo para definir o som de All I Live For, não teríamos tanto êxito, pois a banda é muito versátil. Talvez o que possa parecer mais evidente seria os elementos de progmetal, a começar pela ilustração da capa que apresenta uma figura escarlate de um céu se abrindo e todo o cenário tomado por uma tempestade de poeira. Uma das músicas mais prog, mas que também ostenta peso e pegada marcante é “Retain You”, com seu refrão emotivo e climas solúveis atravessando a nossa audição.
O que o grupo também constrói com sabedoria são atmosferas épicas. Além de arranjos majestosos, linhas vocais que às vezes parecem cânticos de um ritual, a parte instrumental ainda mergulha em sonoridades próximas de orquestração. Em “Embers Of The Fallen”, por exemplo, temos um pouco disso. Clima épico nos backing vocals, linhas melódicas cinematográficas e riffs orquestrados. O solo de guitarra, nesse caso, funciona como uma peça para violino que caminha sobre as bases como o deslizar de um arco. Até aqui a banda tem se mostrado muito profissional no que faz e isso, misturado ao dom artístico, revela uma qualidade impressionante.
O All I Live For também incursiona por terrenos menos virtuosos, embora a qualidade e perícia musical seja indiscutível. Nesse caso, notamos que existe em suas composições presença forte de metalcore, com vocais guturais e riffs rasteiros, mas também alguma coisa de hard rock como em “Make A Start”. Aqui, temos uma canção cativante com peso distribuído, performance de baixo perfeita e destacada, além de um lirismo belo e adocicado. Na cozinha, a bateria alterna seus movimentos em uma pegada que vai do cadenciado a pedaladas duplas no bumbo. Esta, realmente, é uma música para se sentir e bater cabeça.
Quando saiu o ‘debut’ “We Are The Angels”, o grupo passou por bons momentos de ascensão, críticas elogiavam as músicas, produção e muitos redatores profetizavam o caminho que o All I Live For tomaria. Todos estavam corretos, pois a banda, hoje, com este novo trabalho deu mais um passo criativo dentro da cena. O mais legal é que seus temas são forjados mais em assuntos existencialistas como questões sociais, ambientais e crescimento pessoal. Você deve escutar “Give Me A Reason” e admirar a forma como a melodia transita em sua mente. Logo estará cantando com a banda o seu refrão.
Um dos grandes momentos de “Into the Ether”, no que diz respeito à introspecção está em “Leave Behind”, uma canção que extrapola os limites da harmonia com climas espaciais e vocais levemente entonados. Ainda há algum peso em sua construção, no entanto, a leveza da sonoridade e o solo muito bem encaixado se destacam em seus mais de quatro minutos de duração. Na sequência, temos a faixa título que faz parte da sessão hard rock, pois é empolgante, além de adornada por climas cativantes que elevam o seu astral. Nesta execução, técnica e brutalidade se convergem no objetivo de sair uma canção perfeita. E conseguem!
Se a épica “Embers Of The Fallen é a maior música do álbum, com seus 5min4seg de duração, a “Anodyne” é a mais curta com seus 3min19seg. Mas nem por isso a penúltima canção do repertório é menos privilegiada. Assim como todas as outras, ela possui garra, emoção e produção acima da média. O encerramento com “Never Stand Alone” traz mais uma execução introspectiva com harmonia de baixo se sobressaindo. Este rapazinho, aliás, tem uma presença marcante em todas as músicas. Aqui, ao lado da guitarra arremessando peso para todo lado, faz um suporte extraordinário resultando na qualidade original da banda. Corra e acesse a sua plataforma digital predileta. O All I Live For estará lá.
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