Fazer música instrumental requer um trabalho em dobro, pois perde um dos elementos centrais da melodia que são os vocais. Logo, para prender a atenção de quem ouve é necessário um trabalho redobrado. Sem contar que na música precisamos sentir e isso também se torna uma tarefa árdua, fazer com que o ouvinte absorva da melhor maneira algo que não tem uma mensagem codificada em letras para ele.
Pois bem, alguns artistas possuem uma sensibilidade tão grande quanto a isso que impressiona. Talvez seja o caso do compositor e produtor indo-holandês Basil Babychan, que divulga seu novo álbum, “The Cadence of Infinity”, uma coleção cativante de música instrumental neoclássica e clássica moderna. O disco une seus últimos singles lançados, que é uma forma de trabalho adotada a algum tempo por artistas de todo o mundo.
O álbum explora temas como movimento, reflexão e despertar interior. Seus trabalhos anteriores, incluindo o EP “Accidentally Incorporated”, de 2020, e singles aclamados como “Transient” e “Phantasm”, estabeleceram Basil como uma voz singular na música clássica moderna.
Aqui cada composição é um capítulo de uma narrativa maior e para estabelecer isso, Basil varia nos elementos extraídos de sintetizadores, que exploram camadas atmosféricas, sons vibrantes e também batidas que dão a dinâmica necessária à cada composição. Trata-se de verdadeiras obras cinematográficas, que no final das contas hipnotizam o ouvinte, o que é um dos grandes trunfos do artista.
As oitos composições se distribuem em pouco mais de 26 minutos onde Basil consegue transitar não só pelas diversas facetas da música instrumental neoclássica, mas também gerar vários climas, que deixam o ouvinte encantado. Outro ponto é que ele não deixa que o som caia no marasmo, mesmo em momentos mais introspectivos onde a canção pede maior foco na reflexão, mostrando que a habilidade de Basil vai além de compor.
Pois bem, o disco começa com a faixa título, que já revela que a pegada não se resume apenas à sonoridade neoclássica. Afinal de contas, “The Cadence of Infinity” é uma música que, além dos elementos em comum que encontraremos no disco, tem uma levada inspirada no post-punk (isso mesmo) que dá uma dinâmica extra.
“Phantasm” vem com um cunho mais misterioso e tem as bases focadas nas teclas. É uma das canções que mais trazem elementos da música indiana, origem do artista, porém em forma complementar e não conduzindo diretamente. A batida eletrônica nos remete ao que era feito na new age.
Chegamos a uma composição ainda mais misteriosa, já que “Insentient Nature” é uma faixa com ruídos além do piano e a primeira que explora vocalizações (não vocais) como complemento. Uma veia futurista se faz presente, o que explica a variação sonora do qual Basil se inspira.
E, em “Psalm Of The Winds” não apenas voltaos a uma veia post-punk, como encontramos também toques do synthpop, principalmente com a batida cativante e o fundo erudito, de sintetizadores atmosféricos, além de leves ruídos modernos, que acabam deixando a faixa atemporal. Simulações de coral também complementam essa que é uma das mais instigantes faixas do disco.
Com uma veia neoclássica e leves toques de darkwave, “Transiente” abre a segunda metade do trabalho com uma mescla vanguardista e moderna. Enquanto a batida futurista dá o ritmo necessário, um piano clássico destila melodias encantadoras tendo um fundo sombrio como cama.
Logo chega “Sun Dance”, um dos principais ‘hits’ do disco, que mostra um ar de esperança, nos entregando a reflexão imediata gerada por um piano eufórico e fundo belíssimo. Se não é a melhor e mais bonita faixa do disco, estamos diante de uma das mais inspiradoras, não tenha dúvidas.
“The Early Rise” é uma música que nos remete aos ensejos de finais de ano. Mas não aqueles somente cheios de luz e otimismo, e sim a mescla de beldade com um leve ar sombrio que nos remete à reflexão do que podemos melhorar.
Fechando o trabalho, “Soul and Solace”, um dos primeiros singles prévios, chega com um ar meditativo, em um clima que progride do sombrio para uma luz mais sucinta e séria. A música solidifica a habilidade que Basil demonstrou em todo o disco, que é fazer com que seu som não seja somente ouvido, mas compreendido e sentido.
O saldo final de “The Cadence of Infinity” fica pelo fato de estarmos diante de um disco poderoso, que mostra que música instrumental de qualidade pode ser consumida por todos. Melhor ainda, há uma autonomia impressionante, servindo também de som ambiente, aliás, purificando o ar por onde passar.
Mas, há uma curiosidade interessante, pois Basil Babychan não só produz e compõe como também toca ao vivo e fica aquela curiosidade de como algumas faixas soariam em um palco. Além do mais, é bom ver e ouvir artistas que ainda apostam em sons reais e música com alma, principalmente nos tempos atuais!
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