Algumas coisas são iguais a andar de bicicleta. Na música inclusive, isso se dá de diversas formas. Por exemplo, quando uma fórmula funciona ou rola uma química entre artistas, isso não é esquecido e pode acontecer de soar certeiro de novo. Temos aqui um destes casos e, se não ficou melhor que a espera, é algo que dignifica o trabalho de outrora.

Estamos falando do novo álbum “The Disdain”, que marca o tão aguardado retorno do Distant Pham, a dupla de hip-hop formada por Master Wiz e Realz Reality, que se reúne após mais de 17 anos para entregar um projeto que incorpora lirismo cru, verdade e arte atemporal.

E parece que o hiato, ao invés de fazer pararem no tempo, colocou a dupla em sintonia com o que há de melhor no cenário atual. Mas, tudo sem perder a essência que eles moldaram com o tempo e a veia ‘old school’ que caracteriza sua sonoridade.

Tematicamente, o disco traz desde narrativas introspectivas a comentários sociais incisivos, se apresentando como um reflexo e uma declaração de resiliência. O disco ainda foi produzido por Brutal Caesar, que atingiu um nível orgânico e condiz perfeitamente com a sonoridade proposta no tarimbado tracklist.

Com dez faixas e quase trinta minutos de rap, a dupla ainda traz participações especiais no trabalho, que enriquece muito o álbum e o deixam figurar ainda mais acima da média, tais quais Skyzoo, Jon Connor e Maintain (Prophet & Slay 1), dando um tempero especial e enfatizando a versatilidade do disco, que não afeta as principais características.

A dificuldade está mesmo em destacar uma ou outra faixa, mas, para que o ouvinte se situe melhor, temos exemplos grandiosos, tais quais “Rap When”, que abre o disco com certa agressividade e beats explosivos, inserindo o ouvinte de vez a esse triunfo de boa música do gueto.

Com um pouco mais de versatilidade e um trabalho vocal mais espaçado, “If I Die” chama atenção, mostrando uma veia mais vanguardista que deixa tudo ainda mais interessante. Outro destaque fica por conta da faixa título, que chega logo em seguida, soando bem imponente.

Ouça ainda “I Believe” e a mais melódica “The Ninth Hole”, mas não esqueça que “The Disdain” é um disco que merece uma audição completa e que requer pouco tempo para tal, pois ele pode soar diferente de acordo com o humor de cada, sem contar que é um disco histórico!

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