Shadow Antlers é uma exploração do território darkwave por Jakob, também integrante da banda sueca de noise rock/pós-punk RAMN. Essa abrangência de estilos pode ser notada assim que damos play neste seu mais novo álbum, disco que traz 12 composições distribuídas em pouco mais de 47 minutos e que transita por diversos climas.

As músicas do Shadow Antlers falam sobre fazer parte de algo enorme e importante, mas invisível, um mundo secreto compartilhado por todos, mas negado ou desconhecido pela maioria. Implícito na letra, talvez, mas transbordando através da música. Não é diferente em “Outside Belongings”, disco que prima por temos do tipo.

Outro fato que é preciso se destacar no álbum é o fato da produção não cair em armadilhas modernas, o que caba deixando tudo mais transparente, apesar da mescla caótica de elementos. Isso fica claro nas próprias declarações de Jakob: “eu amo o caótico e o selvagem, escapar da individualidade, fazer parte do Grande Exterior da normalidade. Deslizar para dentro e para fora da normalidade como bem entender”.

Todas as novas composições foram feitas neste ano, depois da chegada de 2025, o que mostra que Jakob, além de tudo é um cara antenado. As músicas não soam datadas, mas passam longe de ser tendenciosas.

“Eu me inspirei em sons clássicos que moldaram meus gostos na minha juventude para encontrar um som que ressoasse comigo em um nível primal e intuitivo, a partir de fontes como a trilogia do Cure’s trilogy, DAF, Skinny Puppy, Siouxsie and John Fryers de meados dos anos 80, como Minimal Compact, Wire e oMinimal Compact, Wire and Xymox’ Medusa”, declara mais uma vez.

Mas é fato que há toda uma forte personalidade por trás disso, que coloca o artista em um patamar realmente de criador, sem permitir invencionices baratas e soando original naquilo que o tange.

A primeira faixa, a soturna “Trails” não resume o disco, mas o abre com maestria, pois já mostra o contexto original do projeto. Com menos de três minutos, causa uma tensão com clima de suspense e vocais que repetem a letra, começando praticamente do refrão entorpecendo o ouvinte.

Já em “The Bay” a batida mais sucinta, que nos leva a elementos caóticos e dignos do industrial aparecem. A música prima por trazer esses elementos e um sintetizador sinistro de fundo, que dá um tom mais maléfico. A coirmã “You Leave Some Sky In Your Hair” segue o mesmo caminho, mas ganhando intensidade e elementos mais vibrantes, o que a deixa mais alternativa.

Enquanto isso, “I Am Feline”, que mantém a batida, prima por trazer um ar incrivelmente mais iluminado, porém sem perder seu teor caótico. Quase uma balada, porém mais intimista do que se imagina, um primeiro respiro de pureza vem com “Blanck Metal”, mas guardadas as devidas proporções, já que o ar empoeirado fica sobre os timbres.

Chegando no meio do disco, temos a excepcional instrumental “Dim Carcosa”, que serve como um marco de transição, sendo precedida pela darkwave “What Is Petrichor?”, uma faixa de batida bem sacada e hipnotizante, quase uma instrumental, afinal seus vocais são esporádicos.

Quer algo mais dançante e inspirado pelo synthpop de nomes como Depeche Mode, por exemplo? Pois bem, eis aqui “Sycamores”, uma das faixas mais intimistas do disco, porém com a batida mais acessível. Bem diferente da seguinte, “Harbinger”, que prima por ser mais burocrática e experimental.

Eis que chega “Witches”, uma faixa que deixa batidas mais densas de lado, engradece nas melodias sombrias e traz Jakob apostando em uma interpretação mais dramática, o que deixará os góticos românticos ainda mais felizes. Com “Second Bridges” ganhamos em contextos mais versáteis, encontrando elementos que vão do synthpop, dark gothic e até leves toques de música eletrônica em si.

E, para fechar “Outside Belongings” com chave de outro, sem cair no clichê de faixas morosas, eles entregam simplesmente a melhor faixa do disco, também conhecida como “Cellar Door”. Com uma batida sucinta, mas mais espaçada, eles seguem bem na dinâmica, e inserem, além do ar sombrio de fundo, uma veia épica que deixa a música apoteótica. Escolha mais que certa para fechar um disco grandioso, que ainda traz algumas curiosidades.

Toda a música é escrita, tocada, programada e produzida por Jakob. Todas as obras de arte – desenhos, montagens e assim por diante – também são do artista. Já os retratos utilizados são da fotógrafa e artista Jessica Johannesson.

O título do álbum vem de um livro da autora australiana Elspeth Probyn. O livro é um exame pessoal e filosófico de identidades alternativas, formuladas fora da matriz da normalidade e da individualidade repressiva. Mas olha que curioso. Jakob procurou a autor para agradecer pela inspiração, mas descobriu que ela havia morrido. Mas, sem dúvidas, além da própria obra, a escritora agora fica também eternizada através da música neste disco que é peculiar e muito bem desenvolvido.

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https://shadowantlers.bandcamp.com

https://www.instagram.com/shadowantlersmusic

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