Muitas vezes falamos aqui sobre estreias e como elas são polarizadas naturalmente. É um momento único e importante, sem dúvidas, mas também sempre delicado. Ao mesmo tempo que expõe o artista pela primeira vez, uma estreia tem uma veia tão sensível, que se algo der errado pode ser que tudo vá por água abaixo.

Mas, há estreias que não são exatamente o momento de estreante. Debut álbuns, como este que temos em mãos, é comum nos depararmos apenas com o primeiro registro fonográfico e não exatamente com a primeira experiência em estúdio e/ou musical. O que já coloca a estreia em riscos menores.

Por mais de duas décadas, o artista holandês MODUL8 tem buscado incansavelmente extremos sonoros. Sua jornada musical começou no ensino médio, alimentada pela paixão por sons de alta energia — do speedcore e metal ao drum & bass e breakcore. Isso prova o quão experiente ele entrou em estúdio

Aqui por exemplo, ele traz o álbum de estreia do projeto, “Corpse Sonata Vol. I”, lançado em 12 de setembro de 2025. O projeto de 14 faixas é uma exploração implacável do gênero autoproclamado “curbstep” do artista — uma fusão volátil de phonk, dubstep, trap, glitch e boom bap, turbinada por um ataque lírico de horror psicológico e precisão técnica.

Outra veia que ele traz é a exploração da Inteligência artificial que virou ferramenta de produtores. Mas, ele a explora da melhor maneira, sem que tire organicidade das composições e consegue atingir até uma sonoridade honesta, que pode agradar a muitos.

Ao orquestrar a IA como parceira criativa, o MODUL8 criou um som que é tecnicamente futurista e brutalmente humano. Como o artista afirma: “Este álbum é o primeiro testamento, uma sonata para os cadáveres de sons antigos e um grito de nascimento para o que vem a seguir.”

Logo temos algo que não só entretêm com música de qualidade, mas também prima por ser visionário, tanto em sua proposta, quando na exploração de elementos atuais, dando um gás à música. Tudo com uma produção primorosa, bem lapidada, que criou timbres interessantes, condizendo com o trabalho em si.

Curbstep é uma fusão volátil de phonk, dubstep, trap, glitch e boom bap — um som que desafia gêneros que existe na intersecção da arte humana e da inteligência artificial. Essa inovação sonora surgiu dos “laboratórios musicais” proprietários da MODUL8, onde a orquestração de IA de ponta se encontra com duas décadas de conhecimento musical acumulado. Por meio de inúmeras tentativas e erros, o artista aprendeu a direcionar a inteligência irracional, usando a IA para gerar as hastes perfeitas alinhadas com sua visão artística.

Mas, é mais fácil compreender isso do que se imagina, como podemos ouvir nos mais de 46 minutos do disco, onde ele entrega 14 faixas e já deixa um recado importante com “Ghosts Of Beats”. A faixa de abertura é um hip-hop futurista agressivo, que começa intimidador e explode em vocais enérgicos.

Logo vem “Maniac Ramblings”, que traz um fundo ‘old school’, mas ganha o ouvinte por mostrar que o projeto tem uma assinatura. Já “Carnivore Cadence” tem um tom mais sensual, mas mantém a vibração comum nas três faixas iniciais.

“Leaving Corpses (Can’t Help It)” é uma música de belas melodias e um tom dramático interessante, do qual ela ganha um leve contraponto com a faixa seguinte, “Confession of a Beat Murder”. Se você prefere retornar um pouco ao ‘old school’, sem dúvidas “Percussion Inferno”, que também resgata a agressividade do início, é a recomendação.

“Pulse Collapse” traz uma veia introspectiva e uma batida que faz jus ao nome da faixa, além de ter um dos refrãos mais bacanas do disco. Enquanto isso, sua sucessora, “Twisted Beginnings” chega com uma cadência bem bacana e um arranjo erudito de fundo.

É interessante que “Venom Script” mantém a veia erudita, mas é uma faixa que soa bem diferente, provando que dá pra usar uma fórmula de diversas formas diferentes. “Ripping & Eatting” traz um trabalho vocal que valoriza ainda mais o disco, mostrando que essas linhas foram muito bem feitas, e “Body Bags” segue a premissa com leves toques de soul.

Partindo para a reta final, soa interessante e inovadora a cheia de suspense “Infinite Piece”, com sua batida quebrada e sintetizadores de vanguarda, quanto “Stomp The Hats” traz um drama extra, que já parece nos antecipar para o final do disco. Eis que nos surpreendemos com “Interrogation”, faixa que encerra o trabalho e prima por trazer um clima normal, sem delongas ou piegas de encerramento, se revelando uma das composições mais equilibradas do disco.

Fato é que “Corpse Sonata Vol. I” foi moldado com tanto cuidado, que a identidade de MODUL8 fica evidente, entregando um som tão característico e em meio a estilos que estão sempre em voga, o que torna o território ainda mais perigoso. Mas ele vence e de goleada!

https://soundcloud.com/modul8-702279756

https://open.spotify.com/artist/5fcXDVfNTH0Ion4wEooE5K

https://www.instagram.com/curbstep

https://youtube.com/channel/UCT3Ud0xSxzyg853uSSt1dIA

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