A audácia mora no fato de que a guitarra, a partir de seu riff agudo, de menções ácidas e ecoantes, torna a atmosfera em algo completamente entorpecente. Ao mesmo tempo, é preciso pontuar que o instrumento é capaz de despertar sensos de tensão e insegurança no espectador justamente em virtude da estrutura de sua sonoridade. Diante disso, a surpresa se anuncia como um golpe de um caçador perante a sua presa.
Se transformando em algo intenso em que as guitarras se combinam na criação de uma sonoridade azeda uníssona e levemente borbulhante e a bateria se mostra perante uma desenvoltura incandescente, a composição não consegue ofuscar que, lá no fundo da sua essência, existem resquícios de uma dramaticidade pegajosa querendo encontrar a luz. É exatamente nesse momento, um instante sonoro-narrativo em que o torpor encontra o caos, que o escopo lírico é devidamente anunciado.

Vivido por uma voz masculina aguda, mas de menções igualmente azedas e rasgadas, ela leva o espectador a ambientes de uma transcendentalidade incomensurável que impede qualquer entrada de desarmonia em suas dependências. Nesse aspecto, é até possível de se pontuar a existência de uma energia mística pairando livremente sobre o ar de Deer Cross The River, uma faixa de lirismo real e de sonoridades que vão do post-rock ao shoegaze.
https://hedmark.bandcamp.com/track/deer-cross-the-river-2
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