O movimento queer, ou teoria queer, é um campo de estudo e um movimento social que surgiu na década de 1990, questionando e desafiando normas sociais de gênero e sexualidade. Suas principais propostas incluem a análise das construções sociais da sexualidade e gênero, a crítica das categorias binárias e a promoção de uma perspectiva política que abrange outras formas de resistência e reconhecimento de direitos.

Kristen Castro, cantora e compositora, multi-instrumentista e produtora, além de fundadora e instrumentista integral do trio Maybe April, é de origem latina e compõem o movimento queer que, muitas vezes, faz parte do seu conceito lírico de forma lúdica e inteligentemente inserida onde se entrelaça a outros temas dando versatilidade.

Mas, não são só suas letras que carregam essa versatilidade. Apesar do mote no pop consistente a alternativo, sua sonoridade também transita por diversos estilos, sem perder a identidade. Sem reinventar a roda, Kristen consegue dar características próprias a um som robusto, bem estruturado e, ao mesmo tempo, sensível.

Ela chega com seu álbum de estreia “Capricorn Baby”, do qual não só entrega a sonoridade e temáticas que moldou, mas também mostrando seu talento como engenheira de som e produtora, afinal de contas o disco foi totalmente autoproduzido, provando que o talento dessa artista magistral vai muito além.

E o resultado é simplesmente maravilhoso, já que entrega tudo aquilo que moldou durante um bom tempo. Desde os dez anos de idade, Castro cria música que transcende gêneros, fundindo folk, americana, pop, eletrônica e country em um som exclusivamente seu. Isso ecoa neste trabalho completo, onde ela destila sua personalidade em nove faixa cativantes.

O disco não começa de uma forma convencional, já que a proposta da cantora está longe disso. A faixa traz um indie folk moderno, com pitadas de dream-pop e uma melodia simples. Intitulada “Amsterdam”, a música prima por soar como uma entrada em uma receita que virá um pouco mais encorpada depois.

E é bingo, afinal de contas, “Malibu”, a faixa seguinte, apesar de manter alguns elementos em comum com sua antecessora, ganha uma guitarra que vai surgindo discretamente, além de sintetizadores mais vibrantes e uma bateria consistente.

Lembrando The Cranberries, principalmente no instrumental, “Summer Rain” também soa com teores mais consistentes, flertando com o rock alternativo e synthwave, neste último caso principalmente por conta da batida. A única coisa que se mantém intacta até então é a doce voz de Castro, que mescla sussurros com certa sensualidade, sendo a principal assinatura da música.

Logo chega “Tarot”, uma música que mais uma vez vai surpreender, mostrando que Kristen não se faz de rogada em abrir suas fronteiras e inserir elementos dos mais diversos em sua sonoridade. Isso porque a música continua com seu teor dream-pop, mas ela investe em um fundo country que dá ainda mais versatilidade ao disco.

Enquanto passamos pelo interlúdio que marca a chegada na ‘meiúca’ de “Capricorn Baby”, com um teor dream-pop / folk, “Pegasus” se prepara para entrar com sua aura vanguardista, clima levemente sombrio e um ar sublime diferenciado, já que esta é uma característica do disco.

Uma das composições mais difíceis de se descrever, pela sua versatilidade e dinâmica diferenciada, “Sun Sign (She’s So Scorpio)” chega como um pop sucinto, mescla de elementos orgânicos e sintetizadores. E nada disso abala as estruturas da identidade de Kristen, pois a música, mesmo diante de suas distinções, mantém essa aura.

“Amor & Psyche (Stripped)” chega como um indie folk moderno e tem um detalhe importante. A faixa prima por trazer a voz de Castro um pouco mais limpa e clara, além de mais imponente. De qualquer forma, a faixa mantém a tão mencionada identidade intacta, provando, novamente, as habilidades da artista.

Por fim a faixa título chega e traz participação especial de Deb Talan, que dá ainda mais fluidez. A música, uma das mais orgânicas do disco, tem um impacto quase o quanto a faixa de abertura, já que não tem a intenção de traduzir toda a obra encontrada no álbum. Poderíamos dizer que se trata de uma sobremesa!

Nos temas, como artista queer e mexicano-americana, Castro está determinada a mudar a narrativa sobre o que significa sonhar, compartilhando sua jornada de crescimento e evolução constante. E ela não aponta dedos, mas sim soluções, de forma poética e que se entrelace às ótimas melodias que nos encanta a cada acorde.

Não à toa, antes mesmo de sua estreia, ela conseguiu fazer tours importantes, participar do Grammy Camp em 2012, e tocar ao lado de nomes como Bonnie Raitt, Kris Kristofferson e Gavin DeGraw, e abriu shows para Sarah Jarosz e Brandy Clark.

Fato é que, depois deste grande banquete de boa música, arranjos ricos e uma produção primorosa, que casou muito bem com a sonoridade proposta, sentimos que Kristen Castro pode e deve alçar voos ainda mais altos em sua carreira.

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