É estranho dizer, mas a maneira como o piano se movimenta não entrega ao ouvinte uma delicadeza confortável, prazerosa de ser vivida em seus instintos sensitivos. Isso porque ela vem regida por uma boa gama de melancolia e um toque cenográfico monocromático que rouba qualquer ideia de lucidez. Soando, de certa forma, denso, em meio à sua proposta introspectiva, a canção surpreende por trazer outras vivências igualmente desconfortáveis.
A partir da interpretação vocal assumida por Astrid Swan e seu tom doce, mas não excessivo, a canção passa a transpirar menções que beiram o desespero, a agonia. A súplica. Dentro de um torpor robusto, que ganha mais corpo em virtude da entrada da bateria, o ouvinte tem, em Special Ones, uma experiência que combina tristeza, pesar e um toque curioso de desesperança.
