Cream, Jimi Hendrix Experience, ZZ Top, Rush, Nirvana e Motörhead são só alguns nomes de power-trios que fizeram história no rock. Nomes que fizeram com que essa formação básica, de guitarra, baixo e bateria fosse considerada a necessária para entregar sonoridades robustas e técnicas, onde o visceral predomina, mesmo em casos do progressivo, executado pelos canadenses mencionados do Rush.
Com isso, parece que o som fica mais honesto e poderoso, além de enérgico, o que é tudo que o rock e muitas de suas outras vertentes necessitam. Logo, esse tipo de line-up perdurou e até hoje em dia é um dos mais significativos da música pesada.
Pois bem, a banda norte-americana The Party After segue essa premissa e conta com Jared William Gottberg, Derek Talburt e Tony Bates. O vocalista, Jared, na guitarra e no vocal, conheceu o baterista, Derek, no ensino médio, e eles fizeram seu primeiro show juntos durante um evento escolar em 2008. Eventualmente, eles formaram uma banda em 2011, e logo depois Tony se juntou a eles no baixo e nos backing vocals.
Jared tem carreira solo, uma dupla e também um quinteto, e faz mais de 200 shows por ano entre todos eles. Ele atua principalmente no Centro-Oeste, e o The Party After se junta a ele quando palcos maiores o chamam. Isso prova a importância da banda em seu currículo, e isso não é à toa.
Apesar da carreira de quase quinze anos, mais se contarmos quando surgiu o embrião, a banda lançou seu single de estreia, “Philophobic”, somente no Dia dos Namorados de 2019. Desde então, eles lançaram vários singles subsequentes e atualmente divulgam seu primeiro álbum completo, este “Dopamine Machine”.
O disco vem sendo produzido de longa data, se pensarmos nos padrões dos dias atuais. Gravado na Cidade do México, no final de 2021/início de 2022, a banda passou algum tempo cuidando de suas vidas pessoais e fez uma pausa enquanto trabalhava diligentemente no refinamento da imagem e da marca necessárias para sustentar o álbum.
Eis que “Dopamine Machine” foi lançado em julho último e mostra a banda destilando o rock alternativo que sempre permeou seu som e mantendo o leque aberto, mostrando diversos elementos de subestilos que se encaixam à sua proposta.
Tudo distribuído em 10 faixas e pouco mais de 44 minutos, com uma produção muito consistente, moderna, mas que deixa o som natural, priorizando o peso necessários, com timbres muito bem escolhidos.
O disco começa com um dos singles prévios, “Blast Off”, do qual a banda entrega bem sua proposta, fazendo com que o som seja um ótimo cartão-de-visitas e, depois da audição completa, concluímos que se trata muito da identidade da banda. Ou seja, um rock alternativo onde o grunge e o hard rock se unem em equilíbrio.
“One For All” mostra a banda mais intrincada desde a introdução. A cozinha soa versátil na abertura, introduzindo com uma virada irada entre baixo e bateria, e depois caindo numa melodia empolgante. Tudo mantando a identidade da banda. Com uma conotação mais pop, que exalta o vocal de Jared antes da banda explodir em guitarras encorpadas, “What’re You Waiting For” é daquelas músicas que conseguem ser agressivas e acessíveis ao mesmo tempo.
Aliás, a banda prima por optar por introduções de guitarras limpas, que pavimentam o caminho para guitarras mais sujas, tornando isso uma característica. O que pode ser conferido em “Tell Me”, que tem um refrão magistral. Encerrando a primeira parte do disco, “Pushin’ Rope” é outra faixa que valoriza muito a seção rítmica, e mostra a versatilidade da banda que incorpora um funk simples, mas muito bem sacado.
Com um riff magistral de guitarra, e uma cozinha que segue a toada com um ar impositivo até ganhar uma dinâmica beirando o heavy metal, “Happy Hour” é uma música magistral, mostrando que o The Party After consegue sair da sua zona de conforto sem perder sua identidade. Ela é precedida pela maciça “Desperation (The Rain Dance)”, que soa mais dentro da normalidade e poderia facilmente tocar no rádio, mas também sem perder as características, pelo contrário, as mantendo muito bem.
“Concrete Jungle”, que abre a trinca final, faz aquele papel de faixa versátil, sendo uma das mais longas do disco e inclusive incluindo teclados discretos ao fundo. Um ar sombrio e mais sisudo dá o tom da canção, densa e muito madura.
O que fecha o disco são os outros dois singles que saíram como prévia. A quase metal moderno “Symmetrism”, que tem um baixo estonteante e mostra Jared cantando de forma mais introspectiva em boa parte do verso, além de “Celebrating Nothing”, que mostra a banda com uma pegada progressiva que se encaixa à proposta.
Fato é que “Dopamine Machine”, que traz em suas letras temas que vêm do processo angustiante de descobrir o quão turbulenta a busca pelos próprios sonhos pode ser, é um disco completo, que pode não salvar o rock, mas colabora e muito para mostrar que é o estilo mais em evidência de todos os tempos. Esse ficou salvo na playlist!
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