O rock progressivo italiano tem muita história. Tanto que o gênero ganhou uma abreviação própria, a chamada RPI, obviamente rock progressivo italiano, e ficou conhecido no mundo inteiro por ter características bem próprias. Dentro dessas características estão as fortes influências da música clássica e do jazz, melodias marcantes e o uso da língua italiana nas letras.
Bandas como Premiata Forneria Marconi (PFM), Area, Metamorfosi, Il Balletto di Bronzo, Latte e Miele, Locanda Del Fate, Osanna, Banco del Mutuo Soccorso e Le Orme são ícones do gênero, que se destaca pela qualidade instrumental e pela profundidade temática, muitas vezes com álbuns conceituais.
Aqui temos um grande e atual representante deste estilo. Trata-se do Andrea Pizzo and The Purple Mice, que é um coletivo de amigos e músicos de Gênova, Itália, unidos pela paixão por ciência, narrativa e rock.
Liderado pelo vocalista e compositor Andrea Pizzo, juntamente com sua esposa Raffaella Turbino, que coescreve as letras, o grupo tem uma identidade que é moldada na junção do RPI com o progressivo tradicional, além de manter seu leque aberto ao rock clássico, folk e pop. Claro, isso gera uma versatilidade que vai além do que imaginamos, complementando que eles ainda são bilíngues, pois cantam tanto na língua pátria quanto em inglês (na maior parte).
Influenciado por nomes como Pink Floyd, Muse e David Bowie, eles chegam com o disco de estreia “Transhumanity”, que é uma jornada sonora que mistura melodias fortes com conceitos visionários e mescla imagens de ficção científica com emoção humana, inspirando-se em figuras icônicas como Ada Lovelace e Nikola Tesla. Ou seja, tem atendido todos os quesitos do estilo que propõem.
O processo de gravação ficou por conta do produtor Roberto Tiranti e colaborações com o pianista Riccardo Morello, o que ajudou a dar ainda mais versatilidade às 11 faixas do disco, nos poucos mais de 43 minutos, o que também prova a objetividade das composições.
A primeira delas, “Ada”, cantada em italiano, segue um preceito bem tradicional onde o indie se mescla ao progressivo de uma forma branda que surpreende. Com os vocais enérgicos, a música mostra alguns contrastes e arranjos suaves. Logo chega “Goodbye”, uma faixa mais versátil e que encanta pela sua introdução com uma melodia estonteante. Épica, a música mescla o acústico com teclados de fundo primordiais, além de um dueto vocal feminino/masculino que só a deixa ainda mais bela.
Logo chega “The Current War”, uma faixa mais que objetiva, com menos de três minutos e uma energia ímpar. Com um refrão inspirado, a música é a primeira a trazer sintetizadores realmente futurista e um groove bem dosado. E assim vem o dramático rock “The Ballad of Alan Mathison”, que apesar de seu clima inicial introspectivo, ganha potência e se torna uma música enérgica.
“Bomshell” é a primeira oferta eletrônica do disco e não economiza na batida programada e sintetizadores, mostrando que o grupo não se faz de rogado em sua versatilidade. A música progressiva em forma de pop e indie retorna na excêntrica “Hidden Figures”, com sua levada bem sacada e sintetizadores excêntricos.
Já em “The Boy Of Silicon Valley” a banda aposta no mais orgânico, mantendo somente os sintetizadores (bem característicos, por sinal), investindo numa música que traz um rock mesclado com um funk de groove arrebatador. Ela é precedida pela futurista “We Are All Bots”, single prévio que deu uma boa impressão de Andrea Pizzo and The Purple Mice, e em meio às suas coirmãs, prova o porquê a escolha foi tão acertada.
Chegando na trinca final, a banda mostra um sprint magistral que começa com “The Machine”. Trata-se de uma faixa que é puro futurismo e acaba soando hipnotizante pelo seu ritmo muito bem sacado e um trabalho vocal que chama atenção. Vale destacar que a faixa também saiu como um dos singles prévios de destaque e possui um dos melhores trabalhos de sintetizadores de todo o disco (e olha que não economizam nisso).
“To The Space and Beyond” é outra faixa que traz uma premissa interessante, sendo entregue já pelo próprio título, já que é uma música que nos remete a trilhas sonoras de sci-fi. Porém, toques eruditos a deixam bem diferenciada, mostrando novamente o quanto o projeto é versátil.
E, por falar em erudito, o ponto final de “Transhumanity” traz o que pode ser uma peça operística e só não o é, definitivamente, porque mostra a personalidade do Andrea Pizzo and The Purple Mice, voltado ao rock mais pesado do trabalho, em seu final apoteótico. Os solos são dignos de um Pink Floyd, com melodias magistrais, sendo as bases na linha do Black Sabbath, incorporando ares sombrios. Que música magistral essa “Eternitá”.
Além de entregar o necessário e na medida em seu trabalho de estreia, Andrea Pizzo and The Purple Mice encanta pelo fato de executar uma música bem característica, que nos eleva a imaginação e ainda soa cheia de personalidade. Que venham outros discos!
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