E evolução musical de James Linck está bem atrelada aos anos mais recentes de sua vida particular. Talvez isso seja mais comum do que imaginamos, afinal de contas, todo artista é um humano, não é? Linck surgiu há mais de 10 anos com seu EP de estreia em 2013.
Em 2015, ele lançou seu primeiro LP completo. O outono de 2016 viu o lançamento do de mais um EP de Linck que começava a moldar seu som definitivamente. Logo, ele mudou-se para Los Angeles em 2017 e essa breve passagem produziu alguns singles, incluindo “Linck”, uma ode à Hollywood Strip e ao clichê do ator/artista/músico em busca de pastos mais verdes no sul da Califórnia.
Após se casar em 2019, ele lançou uma série de singles explorando o relacionamento entre os recém-casados. Não podemos negar que se trata de um período fértil, e que estamos diante de um artista prolífico. Agora, ele chega com seu novo álbum, “One on One”.
Segundo o artista, um ciclo de autoconfrontação, “ONE ON ONE” é um álbum sobre o meio termo. Fato é que estamos diante de um álbum que prima pela versatilidade, tanto nas canções quanto nos climas, do qual ele varia bastante sem perder a identidade.
Com sete composições em menos de 20 minutos, além de um disco objetivo, James Linck também mostra primor ao executar as faixas de forma sublime sem que elas percam a consistência. Essa se revela uma das principais características do artista, que abre o trabalho com a original “Se Mich”, um R&B de ritmo diferenciado e arranjos inspirados no indie.
O disco mostra que Linck sabe trabalhar com trejeitos que vão do hip-hop, passando pelo mencionado R&B, mas também insere elementos do neo-soul e até mesmo dream-pop, o que dá uma atmosfera um tanto quanto viajante, como “Reality Bites”, a segunda do disco.
Destaque também para “Endless Horror”, que tem falas em português inseridas (de fundo) e traz um ritmo versátil, remetendo a afromusic, mas sem perder a essência original que o disco traz, se inspirando num pop alternativo. Destaque também para o trabalho vocal de James, que canta de forma intimista, arriscando alguns falsetes que funcionam muito bem.
Porém, sem dúvidas, “One On One” merece uma audição completa, devido ao equilíbrio do tracklist, soando muito acima da média. Como se isso não fosse suficiente, o álbum é muito bem produzido, primando por trazer uma captação e timbres que soam muito bem nas composições.
