Mesmo diante de um lirismo ululante, ondulante e editado, bem como na presença de um beat sintético, o ouvinte sente o frescor, a leveza e um clima convidativamente descontraído definitivamente irresistível. Inclusive, assim que o timbre da vocalista se torna audível em sua forma limpa, o ouvinte percebe sua identidade equilibrada entre agudez e dulçor, bem como possuinte de um toque levemente nasal.
Explorando o ânimo, a sensualidade, mas também o descompromisso e a leveza cada vez mais perceptível, a faixa vai garantindo para si uma identidade dançante deveras atraente. E o que chama a atenção é que a obra não necessariamente molda um ecossistema noturno. Ela faz do sol, do mar, da praia, do calor e do suor os seus principais combustíveis. É exatamente isso que a torna viciante.

Conseguindo explorar, ainda, um alicerce sensório-enérgico pop nos mesmos moldes de La Isla Bonita, single de Madona, a faixa ambienta o espectador na encantadora Península Ibérica, com seu clima festivo e contagiante, detalhes que são muito bem defendidos pela sua identidade sonora. Porém, quando se atenta ao lirismo, se percebe que La Grande Motte é, simplesmente, uma ode a essa cidade francesa em virtude de seu grande apelo turístico e mistura de belezas naturais e arquitetônicas.
Mais informações:
Soundcloud: https://soundcloud.com/chris-302165003




