A música soul é um gênero musical popular que se originou nas comunidades afro-americanas nos Estados Unidos no final da década de 1950 e início da década de 1960. Desde então, o estilo nunca mais saiu das paradas musicais, influenciando artistas e se difundido com diversos gêneros. Sem dúvidas, o estilo teve seu auge quando a Motown dominou o cenário pop, mas nunca saiu de evidência.

Já o blues vem de muito antes… o estilo foi originado por afro-americanos no extremo sul dos Estados Unidos ainda no século XIX e é até um dos responsáveis por gerar o soul e muitos outros, tais quais o rock and roll, jazz e muitos subgêneros por aí.

Logo, a relação dos estilos é mais estreita do que se imagina, não ficando apenas nos meandros musicais, mas também atingindo as camadas étnicas e sociais em suas origens. E isso perdura até hoje, tanto que temos artistas que os mesclam, como Eoin Shannon.

Shannon, natural de Cork, Irlanda, traz uma mistura única de soul, blues e influências espirituais à sua música. Ele chega agora com seu mais novo álbum, “Highs & Lows”, onde traz 13 faixas distribuídas em quase 46 minutos e contando com diversas participações especiais, seja no instrumental ou fazendo duetos com ele nos vocais.

Contribuições notáveis incluem Tom Savage, que produziu e criou músicas para várias faixas, e Malte Hortsmann e Artem Litovchenko, que emprestaram sua proeza musical à comovente peça “Happiness has Come to Town”, além de artistas talentosos como Gaby Duboisjoli e Chanele McGuinness adicionam profundidade e riqueza ao álbum.

Influenciado por lendas como Bobby Blue Bland e Frank Sinatra, Shannon não se faz de rogado e coloca toda sua espiritualidade tanto em forma de música quanto no contexto lírico, conseguindo casar as propostas, gerando um disco versátil, mas muito característico.

O disco começa com a receita principal, ou seja, a junção equilibrada entre blues e soul, em “Going Through Hell”, faixa que já deixa bem clara a voz aveludada e levemente dramática de Eoin. Bela abertura, que é precedida por “Fall Into Arms Again”, que traz um dueto magistral com Gaby Duboisjoli. A música segue bem a premissa, tendo um início brando e ganhando mais intensidade do meio pra frente, inclusive flertando com o rock, mesmo sendo uma balada.

“God Only Knows” chega como um blues intimista, mostrando um trabalho magistral de guitarras, além da cozinha típica. A música também traz um trabalho vocal primoroso, inclusive com Shannon engrossando sua voz e ainda contando com Makeda Rose ao seu lado. Já em “One Crazy Day”, o rock pede passagem, mantendo a levada blues e incluindo até guitarras levemente distorcidas.

O contraste vem logo em seguida, quando Malte Hortsmann conduz o piano de “Happiness Has Come to Town”, que também tem Artem Litovchenko no violoncelo. Quase que cantada à capela, a faixa tem mais uma participação monstruosa de Gaby Duboisjoli.

Com um teor mais moderno, “I Could Fall In Love Again” traz um Eoin influenciado por Johnny Cash, em uma música que soa atual e tem um trabalho instrumental consistente, além de backings por conta de Ross Harmon e Larry Magee, que ficaram perfeito. O soft rock a lá Eagles pede passagem em “Pull The Plug/Pull The Curtain”, uma composição magistral, vanguardista, mas que não soa datada e também traz colaborações que a enriquecem.

“Sad Sad Little Man” resgata o ritmo do blues e ganha leves toques de southern rock, soando como uma música sensual e de ritmo cativante. Makeda Rose volta em “Demon Lady”, que é uma faixa onde o rock bluesístico pede passagem com aquele ritmo maléfico e um trabalho vocal inspirado pelo soul.

“The Closer You Are To God” é mais uma que traz um aspecto mais moderno, onde blues, rock e country se unem num equilíbrio impressionante e a guitarra rouba a cena com solos magistrais. Enquanto isso, “When I Look Into Your Eyes” chega como uma balada que traz elementos acústicos e uma veia latina levemente inserida. O refrão com ‘backings’ vintage soa magistral e é um dos charmes da música.

Chegando na reta final, “Captain my Captain (Lord and Savior)” é muito bem arranjada, mas chega de forma simples, com um blues ‘classudo’ ao ouvinte, apresentando mais um trabalho de guitarras magistral.

A faixa que fecha o disco é uma versão alternativa de “Pull The Plug/Pull The Curtain” intitulada “Pull The Plug/Pull The Curtain (Zhoca/Romacoolguy Mix)”, que a traz de forma moderna, com batida R&B, servindo como uma representação atual. Nada melhor do que ser lançada como bônus, já que sai totalmente fora da casinha.

Fato é que “Highs & Lows” é um disco onde Eion Shannon consegue impor o equilíbrio tanto musicalmente, quanto liricamente, soando como se fosse a linha tênue entre o bem e o mal, sem forçar, da forma mais natural possível. A arte da capa é um extra da beleza do álbum!

https://open.spotify.com/artist/7njGUl8GeClZ8XGu0qD3fk?si=vkdSsnIJTNmWeRYubzYtAA

https://www.instagram.com/shannoneoin?igsh=aDRwdDR0d3JvN3dy

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