Este é o primeiro álbum do projeto norte-americano chamado Impulse Nine. Batizado por “Nothing is Easy”, este álbum reúne trilhas trabalhadas há mais de 25 anos cujo resultado traz vários panos de fundo para ornamentação de produções cinematográficas. Na verdade, este trabalho de estúdio consiste em oito faixas, precisamente. A execução de abertura nomeada como “I’m Sorry About Your Everything” já começa a nos dá noção de como essa ideia percorrerá pelos próximos minutos. O conteúdo, como de costume em temas para cinema, é robusto, complexo e levitacional, pois além da condução de uma guitarra progressiva, nesse contexto há vários arranjos com instrumentações clássicas.

O tema central de “Nothing is Easy” é a dor causada pela partida de entes queridos, assim como a lembrança de bons momentos ao lado deles. A intenção é levar ao ouvinte o sentimento desse cenário sem a inclusão de letras nas músicas, portanto, trata-se de um álbum instrumental. As influências musicais vêm de vários estilos como hard rock, som ambiental e por aí vai, músicas como “A Wake” corresponde ao título por sua empolgação, seu andamento converge com a energia que emana e a pegada é de fato para despertar. Isso tudo é feito de maneira muito orgânica, mas sem tirar a complexidade.
O idealizador desse projeto já lançou alguns trabalhos nas plataformas de streaming com os mesmos pesos e medidas. Singles como “These Riots Grow Roses” e “Call of the Void” poderiam muito bem estarem nesse álbum por suas produções e intensidade. Por falar em intensidade, a faixa “Heavy Metal Mama” busca isso e o Impulse Nine soube extrair perfeitamente da guitarra, baixo e bateria essa essência. Aqui há um peso enorme e duradouro que se estende por toda a música, pois assim como no título, o heavy metal está inserido nessa execução escancaradamente forte.
O compositor desta obra, durante os últimos vinte anos, gravou inúmeras demos para resultar neste álbum. Seu gosto pelo rock, post-rock, shoegaze e climas dos anos noventa, o influenciou na atmosfera contida aqui e climas versáteis. Por serem trilhas para cinema, até que as músicas não são muito longas e umas chegam até possuir pouco mais de dois minutos. “Fireflies”, por exemplo, pode atender expectativas de rádios, ainda mais com a bela execução de piano, guitarra acústica e uma pegada jazz na bateria. Além disso, essa música ainda alcança os domínios do rock progressivo com toda propriedade que um músico pode ter.

Mais uma coisa deve ser dita, a dedicação que o Impulse Nine teve para entregar um trabalho genuíno e autêntico, foi a mesma para produzir e disponibilizar o álbum “Nothing is Easy” no mercado. Para os apaixonados por coleções, o disco está à venda em vinil e CD, mas se você opta pela versão digital o full length estará disponível em todas as plataformas digitais a partir de oito de agosto. Por enquanto, você pode conferi-lo pelo Bandcamp onde músicas como “All-Nighter” e as outras te esperam para um ‘test drive’. Esta música que, inclusive, explora um pouco de psicodelismo atual, possui mudnças de andamento bem sacadas.
O grande mentor disso tudo se chama Steve McMackin e entre as décadas que serviram de inspiração para esse lançamento, houveram momentos marcantes em sua vida como tragédias pessoais, sobretudo no ano de 2016. antes disso, Steve foi um artista muito atraído por músicas B e este álbum é como se fosse um recipiente para esse tipo de música. Agora, voltando um pouco mais para as faixas, “Heat” é mais uma execução calcada nos moldes do metal pesado com uma pegada visceral tanto na bateria quanto nos riffs de guitarra. Se há uma coisa que, até aqui, Steve não abriu mão é a melodia ácida que neste título tem grande corpo.

Ao chegar à próxima música, você dá de cara com “It Might Be Fine (But I Just Don’t Know)” que em 2024 foi lançada como single. Repare na fluidez dessa faixa e perceba que a melodia flutua tranquilamente tento a guitarra e o teclado como condutores. O cadenciamento rítmico também favorece essa harmonia que, ao longo da música, afaga os nossos ouvidos e corações. Essa é uma prova dos vários sentimentos que “Nothing is Easy” consegue arrancar de nós. Um álbum sem vocais, sem letras, mas muito sentimental e introspectivo.
O próprio autor desta obra espera superar as coisas que o atingiram e o machucaram através dessa criação, portanto, podemos enfatizar que esta é uma obra prima com importância não apenas material, mas sentimental, espiritual e algo mais. Se músicas como “Shadow Over Johnny Ringo’s Grave” passa pra você qualquer episódio ligado a uma saudade, imagine pare este homem de qualidade imensurável na arte da música. “Nothing is Easy” é uma representação musicada de sentimentos profundos sobre a vida e morte, ao mesmo tempo em que representa a superação.
Confira “Nothing is Easy” pelo Bandcamp:
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