Syco-Femia é um transtorno emocional degenerativo marcado por autossacrifício compulsivo, idealização romântica e perda de identidade através das lentes da hiperfeminilidade. Os sintomas incluem sorrir durante o luto, sussurrar quando se quer gritar e confundir dor com paixão. Este é o título do mais novo disco do One of the Broken.

Também é o título da faixa que abre o trabalho e quem não se impactar com essa música magistral simplesmente sofre de outro tipo de transtorno, pois recomenda-se procurar um médico. Estamos diante de uma música enérgica, que extravasa e entrega uma mescla de blues, jazz, soul e pop numa intensidade contagiante.

A música, que começa tímida, explode numa ode contagiante, com Dahlia mandando ver nos vocais e mostrando todo o seu potencial em uma letra que descreve essas reações da síndrome com certo romantismo. O instrumental segue essa linha, com vibrações intensas e uma camada atmosférica de sintetizador ao fundo.

O mais legal disso tudo é que “Syco-Femia” abre o disco com tanta intensidade que passamos a temer que as outras faixas não alcancem seu nível, mas, ainda bem, é ledo engano. Já em “I’d Died For You”, segunda faixa do disco, a qualidade é mantida. Claro, com uma intensidade diferente, mas em alto nível, se mostrando um Blues / R&B mais intimista e os vocais de Dahlia continuando a arrasar.

E sabe de uma coisa? São quinze composições e mais de uma hora, o que não deixa a tarefa de manter a peteca no alto fácil. Mas, o One Of The Broken consegue isso com maestria e naturalidade, além de uma produção muito boa, onde acertam nos timbres e organicidade.

A tarefa de destacar outras músicas se torna mais difícil, porém prazerosa, pois o tracklist é equilibrado. O que podemos dizer é que temos faixas que são excelentes e isso depende muito do nosso humor ao ouvi-las.

Logo, “I’ll Be Your Everything” é mais uma delas, com seus metais de fundo dando um extra nas energias. Menciono também “The Devoted”, um jazz bluesístico muito bem sacado e intimista, com uma abordagem magnífica e mais um show vocal.

Ouça ainda a magnífica “Love Chained”, uma balada que segue o teor do álbum e traz metais providenciais, além de “Cabernet De Moi”, que vai sair um pouco da casinha, mas sem perder a característica e ainda trazer uma guitarra magistral. Porém, a dica mesmo é ouvir essa obra prima inteira!

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