Mary Beth Orr se destaca pelo cenário folk/erudito com seu belo álbum “The Singing Horn”

A norte-americana Mary Beth Orr é uma artista clássica que domina a trompa e já participou de projetos importantes, sendo hoje uma das três trompistas da Grand Rapids Symphony. Além disso, já participou de grupos como a Detroit Symphony e Charleston Symphony. Tanto talento fez a musicista registrar algumas músicas em seu álbum “The Singing Horn” que se inicia com “Appalachia and Wayfaring Stranger (After Traditional Hymns)”, uma verdadeira peça épica de Lydia Busler com participação de Mark Buchner, onde Orr também encanta com seu vocal doce e aveludado. Em seguida, “Lieder eines fahrenden Gesellen (Arr. for Horn & Piano by Michael Drennan): No. 1, Wenn mein Schatz Hochzeit macht” de Gustav Mahler com a colaboração de Mary Jo Cox.

Embora o estilo da trompista recaia sobre o erudito, o fok está bem presente em suas linhas musicais como em “Lieder eines fahrenden Gesellen (Arr. for Horn & Piano by Michael Drennan): No. 2, Ging heut morgen übers Feld”, que é o segundo movimento de uma quadralogia. A continuação dessa trilha segue com “Lieder eines fahrenden Gesellen (Arr. for Horn & Piano by Michael Drennan): No. 3, Ich hab’ ein glühend Messer”, que revela mais versatilidade da obra desta artista. Por fim, a peça deslança em “Lieder eines fahrenden Gesellen (Arr. for Horn & Piano by Michael Drennan): No. 4, Die zwei blauen Augen von meinem Schatz” com a magia da trompa e piano.

As músicas de Orr com partes cantadas são tão virtuosas quanto as tocadas pela sua trompa. A exemplo da canção tradicional “Oh Death”, podemos constatar a sua incrível performance. Em “Wondrous Love (Arr. for Voice, Horn, Violin & 2 Contrabasses by Mary Beth Orr)”, que é outra cantiga de ciranda, o folk se mistura com o clássico e country com nossa musa arrebentando também no contrabaixo. A sua sucessora, “Outdoor Song”, reflete a poderosa magia de sua voz.

Mas não para por aí, Beth Orr, com seu carisma e virtuose ainda nos dá de presente a audição para “The Coast of Kerry” de Michael Kosch, uma canção introspectiva de infinita doçura. Na versão da artista o sentimento transborda. O encantamento vocal segue com “I Remember” que, assim como a anterior, é curta na duração, mas longa no rastro de leveza que ela deixa. A cada minuto que o álbum caminha, músicas como “Waiting for the Beast to Die” fazem o seu papel de ornamentar o ambiente com melodias quase palpáveis.

Seguindo uma vibe teatral do tipo concha acústica, a compositora e intérprete Beth Orr trabalha sua voz junto com a sua trompa em “Dream of an Epiphany”, uma canção que exige equilíbrio vocal o que, claramente, não é desafio para a americana. Depois dessa brilhante performance de dueto entre voz e trompa, vem um solo alucinante chamado “Fox Den”, onde a artista demonstra parte de sua técnica no instrumento de sopro. E por falar em melodias solistas, a moça ainda emenda com “Baroque Solo”, uma execução mais solta e virtuosa que abre caminho a uma expressão divina e macia.

É muito encantador ouvir a voz de Orr desacompanhada como vemos em “Season of Ice”. A trompa aqui, verdadeiramente, assume papel de prelúdio e epilogo. Uma coisa que você claramente percebeu é que, embora cativante, a cantora Beth segue um estilo de melancolia em suas músicas, como em “Sophia’s Melody”. Isso acaba transpassando de uma faixa à outra como no caso de “Au débotté”. Já em “Oh Lay Me Down”, essa melancolia é ainda mais expressiva e sua sucessora, “Mode 2”, que é uma belíssima peça de Justin Writer com a assinatura melódica de Mary Beth Orr.

Para alguém lançar um álbum de 26 faixas melódicas e complexas, o nível de inteligência musical está em um patamar avançado. A exemplo de “Maltija”, essa complexidade pode ser reduzida a um chamado pelo deserto, caso pensemos em alguma analogia. Mas isso fica por conta da imaginação de quem a ouse. Por outro lado, “In a Dunhuang Neighborhood” assume essa premissa de maneira tão sutil quanto a antecessora. Já em “Declamation”, como o nome bem diz, prepara você para algo grandioso. Com notas mais altas e expansivas essa música, de certa forma, é mais uma amostra da competência melódica de Orr.

A versão para “Spanish Mary – 4 Improvisations from Traveling Impressions: No. 2, España” de Beth traz uma nova sensação de conforto, além da versão composta por Bob Dylan. Depois disso, a nossa multi-instrumentista ataca com “When the Mountains Cry (Arr. for Voice, Horn, Violin, Autoharp, Contrabass & Percussion by Mary Beth Orr)”, com solos impecáveis de violino. Na sequência, a sessão épica retorna com “Good and True” para então o álbum se encerrar com a intimista “I’ll Fly Away (Arr. for Voice, Horn, Violin & 2 Contrabass by Anonymous)”. Eis aqui uma obra cheia de paz de espírito, beleza sonora e virtuose comandada por um anjo chamado Mary Beth Orr.

Ouça “The Singing Horn” pelo Spotify:

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