A música chega em nossas vidas muitas vezes mais mastigadas do que imaginamos. E não estamos falando da parte comercial, aquelas que nos é imposta e mal precisamos nos esforçar pra assimilar e engolir. Mas sim da música bem-feita, com sentimento e toda uma história por trás. Música mesmo!

Muito do que a gente aprecia (afinal de contas, ouvir a gente ouve qualquer coisa) tem toda uma história por trás, seja ela longa ou curta. Tem experiências ou são a própria experiência, foi inspirado em algo ou várias coisas, além de poder ter passado por um complexo trabalho de execução e produção, talvez algum mais simples.

O BRAINMAZE, um projeto solo do baixista Ivan Shishkov (baixo), da Bulgária, tem toda uma história por trás, mas não que dê roteiro ou seja inédita. O projeto simplesmente há tempos permeia na cabeça do artista, que o compôs gradativamente, mas só começou a gravar em 2024.

Depois de trabalhar com músicos do mundo todo — Reino Unido, Venezuela, Equador, Argentina, Ucrânia e EUA, Ivan consegue chegar ao seu tão aguardado e querido voo solo contando com a colaboração de vários destes músicos.

No conceitual “WHEN YOUR DEMONS COME”, nomes como Rob Davies (Reino Unido) nos vocais; Ramon Martinez (Venezuela) na guitarra base e solo; German Maldonado (Argentina) nos solos de guitarra; Fabian Carrion Troya (Equador) na bateria midi; David Mendez (Argentina) na bateria acústica; além dos produtores Ilarion Ivanenko, da Ucrânia, na edição e mixagem e Colin Davis, da Imperial Mastering, (EUA) masterização, estiveram ao lado do Búlgaro.

O disco tem um conceito, mas não que se baseia em uma história. Trata-se de confrontar os demônios interiores que vêm à tona quando estamos sozinhos, despojados de nossas máscaras e armaduras – medo, rancor, desespero… Ou seja, a mente de Ivan traz algo cotidiano para seus temas e uma busca constante de superar esses problemas.

O resultado é muito bom, pois casa perfeitamente com a sonoridade, que gira em torno do metal alternativo e progressivo, mas sem nunca fechar o seu leque. Dentro da versatilidade das 11 composições, encontraremos referências de diversos outros estilos, mas nunca saindo dos trilhos da música pesada.

A primeira composição, “Fear”, é simplesmente um banho de categoria e técnica. Soa perfeita como uma faixa de abertura, mas não entrega o que está por vir. Isso porque é uma das que carrega a maior veia alternativa no disco, primando por já apresentar o quão bom baixista Ivan é.

“Spite” chega um pouco mais martelada e direta, mas não deixa a veia alternativa de lado. O baixo continua estonteante, mas sempre jogando pelo time e soando ainda mais fundamental nessa faixa, que tem guitarras mais ao fundo e um ‘groove’ diferente da sua antecessora.

Aliás, o ‘groove’ aqui é um dos elementos principais e não chega como adereço, mas ajuda a dar ainda mais identidade ao som. Inclusive estando até nas guitarras, como prova o riff magistral de “Despair”, que é uma faixa que apresenta um ar mais misterioso, inclusive com um sintetizador fazendo cama de fundo.

“Hatred” tem o peso redobrado e um clima tenso, que talvez seja a tradução musical para a palavra (‘ódio’ em português), que inclusive traz os flertes com o thrash metal, bem comuns no disco. Ela precede uma das melhores faixas do disco, “Uncertainty”, que é um verdadeiro thrash metal progressivo, com riffs cativantes ora cavalgantes, soando equilibrada e com um ritmo cativante.

“Desillusion” chega e consegue manter o pique de sua antecessora, até porque acabamos de sair de uma faixa apoteótica, enquanto “Insanity” mostra que o BRAINMAZE bebeu e muito na fonte do thrash noventista, pois traz a cadência, as quebradas e o groove do estilo daquela época.

“Envy” é a primeira a dar um passo mais pesado, mas não no que concerne à barulho ou velocidade. Sua cozinha coesa e os vocais mais guturais (na maior parte são semi), nos remetem ao death metal de nomes como Carcass e Death, sem perder a essência, o que é uma façanha.

Chegando na reta final, “Anger” vem com um thrash metal potente e progressivo, como é característico da banda, com mais um show do baixo de Ivan, que aqui vibra e gira como uma aeronave em decolagem. Clima mantido por “I’m Terrified”, que tem um dos melhores refrãos do trabalho, nos remetendo ao thrash oitentista, fechando o disco com chave-de-ouro.

Além da coesão, da técnica em prol da música e do equilíbrio entre a composição, tem que se destacar em “WHEN YOUR DEMONS COME” a produção. O disco tem uma sonoridade e timbres orgânicos, que não deixam a música cair em artificialidades muito comuns nos tempos atuais. Isso é um ponto fortíssimo, além do metal e suas diversas facetas, que passam pelo groove metal, alternativo, thrash e as incursões do progressivo, sem soar maçante, muito pelo contrário!

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