A bateria é o elemento que, sozinho, puxa a introdução da canção. Com seu andamento duro e aspecto cru, o instrumento transpira brisas de rigidez em meio a um silêncio que o envolve de forma inicialmente dramática. O curioso é que o espectador consegue ouvir, nesse ínterim, a presença de uma camada preenchida por um som denso, encorpado, grave e de nuances estridentes vindo do baixo.
Com esse novo fator, mesmo que de pronúncia tímida, a canção já vai explorando certa diose de consistência no que tange a sua estruturação melódica ainda em completo estado de formação. É então que uma voz aveludada, doce e evidenciando uma natureza pura, ingênua e, até mesmo pré-púbere, passa a preencher o escopo lírico.

De posse de Olie Beckett, esse timbre permite que a faixa se encaminhe para uma atmosfera não apenas inebriante. Nesse novo ecossistema, o intimismo tangencia embrionárias noções de melancolia e toques de um torpor envoltos em uma brisa curiosamente soturna.
Essencialmente dramática, Hawkeye, na companhia de sonoridades sintéticas que exploram um dulçor açucarado e brisas de uma gelidez que rompe com um estado de conforto manipulador, traz Beckett na ânsia de discutir os desconfortos do amadurecimento. Enquanto chega a citar um rápido amor adolescente, o cantor usa da obra para dissecar as dores que vêm com a maioridade.
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