Nothing Concrete lança quarto disco e encaminha-se para o Glastonbury Festival

Na música, alguns trabalhos soam universais por diversos fatores, sejam eles naturais ou até mesmo tendo um direcionamento. Há artistas e bandas que optam por trazer um contorno global obviamente para deixar seu som mais abrangente e atingir um maior público. Outros preferem manter o leque aberto, pois isso não limita seu som.

Existem alguns casos que dispensam a acessibilidade, apostando num som que engloba diversos estilos, mas fogem do cunho comercial, naturalmente primando por trazer originalidade e uma liberdade criativa que faz com que tudo flua da melhor forma. E, além destes, outras dezenas de abordagens que tomariam todo o nosso texto. Fato é que todas são válidas, principalmente quando soam honestas.

O Nothing Concrete, é um desses casos. Trata-se de uma a banda multicultural originalmente formada na Escócia e agora sediada em Foix, França. Fundada por Fergus McKay e Gaia Miato, a banda reúne músicos de todo o mundo, criando uma fusão musical rica, eclética e, adivinhem (?), global.

Mas a banda é dos casos que não liga para o lado comercial, apostando em sons nativos de diversos países e continentes, mantendo uma sonoridade excêntrica, porém sem querer reinventar a roda. Isso faz com que sua sonoridade seja rica, mas chegue de uma forma digerível ao ouvinte menos atento.

“The Imperfectionist”, quarto disco do grupo, foi gravado em 2024 em um estúdio ecológico construído por eles mesmos no coração da região de Ariège, um departamento francês (como se fosse um estado aqui) e chega com a responsabilidade de pavimentar o caminho do grupo rumo aos palcos do Festival Glastonbury em 2025.

Para quem não conhece, O Festival de Glastonbury, oficialmente Glastonbury Festival of Contemporary Performing Arts, é um dos maiores festivais de música a céu aberto do mundo. Conhecido principalmente por suas apresentações musicais, também possui atrações de dança, humor, teatro, circo, cabaré e outras formas de arte.

Não é à toa que o Nothing Concrete ganhou seu espaço por lá, pois sua sonoridade engloba praticamente todas as linguagens artísticas, além de abranger diversos gêneros e subgêneros. A música deles pode ser folk, étnica, jazz, tango, flamenco ou até mesmo pop, fato é que estamos diante de algo rico e muito bem feito.

Acredito que o leitor tenha notado que estamos diante também de uma banda ambientalmente consciente. Isso reflete não só em suas atitudes, como também nos temas, que traz letras abordando filosófia, preservação ambiental, reflexões e até mesmo alguns pontos anárquicos, mas não que eles se posicionem de tal forma.

Tudo flui natural, inclusive as dez composições, onde o principal single, “The Boats”, já abre o disco sendo um perfeito cartão-de-visitas. Uma homenagem comovente à diversidade humana e à migração, a música traz um ritmo marchante, com bases de guitarras indies e os sopros já deixando claro que serão usados sem economia no disco.

Tanto que estes sopros já abrem caminho na segunda faixa “Broken Bird”, uma mescla de reggae com cumbia argentina que soa dançante e excêntrica. Já “Cometh The Hour” chega como um progressivo irrotulável (se é que isso é possível), trazendo uma veia mais moderna, sem deixar a essência pra trás.

Com um ritmo de polka, “Empty Whisky Bottle Mariachi Blues” chega dando uma leve quebrada no ar mais moderno de sua antecessora. Mas, logo o funk dá as caras em “He Don’t Do Much Of That Now”, com direito a backing vocals a lá ‘motown’, mas, incrivelmente, sem perder a essência e identidade, ainda se encaixando na alma excêntrica do grupo.

A faixa titulo volta a um ritmo tradicional, mas é incrível como o Nothing Concrete consegue impor uma abordagem atual, com destaque aqui para o trabalho coeso dos sopros e da percussão. Enquanto isso, “John Enry Lee” chega com uma veia folk medieval, com direito ao banjo e vocais de fada, além de um violino certeiro, nos remetendo aos tempos medievais. A música tem um adendo, que é o fundo soul, que faz com que soem ainda mais incríveis.

Entrando na trinca final, “No Force” é uma música intimista e divertida ao mesmo tempo, pois seu instrumental mescla tensão com descontração, com uma linha de baixo cativante. Em seguida, “S.O.S – Save Our Soul” chega num tic-tac misterioso e se intensifica num folk blues com teor erudito que só o Nothing Concrete consegue impor.

Fechando o disco chega “The Western” que dá pinta inicial de vir na linha tradicional das músicas de faroeste, mas na verdade ganha ritmo de polka com latina, servindo perfeitamente como uma trilha de western spaghetti e sua unicidade cinematográfica. A sessão de metais dessa música é simplesmente magistral.

Um efeito incrível acontece quando terminamos “The Imperfectionist”. O primeiro fator é que os poucos mais de 43 minutos voam e o segundo é o quanto a gente deixa se levar pela maravilhosa sonoridade que, convenhamos, não está nada dentro do convencional. Um primor e caminho aberto para o Glastonbury 2025.

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www.youtube.com%2Fc%2Fnothingconcrete%3Fcbrd%3D1&gl=FR&m=0&pc=yt&cm=2&hl=fr&src=1

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