The New Solarism supera todos os limites da arte musical em seu álbum “The Kiss”

O extraordinário projeto alemão, The New Solarism, vem à tona com mais um álbum de inspirações profundas e significativas. O ‘full length’ chamado “The Kiss” é uma coleção musical formada por dez peças da violonista e compositora Izabela Kašduška. Originalmente, o conceito dessa obra colaborou para ornamentar um dos trabalhos teatrais de Tomas Blum e, por conseguinte, se transformou neste lindo álbum. A produção uniforme de Kai Kauerhof contribuiu perfeitamente para a captação orgânica do violino que, a cada faixa, emite sons disformes e uniformes para representar o medo, a angústia e a dor gerados durante os anos de pandemia.

Assim como o mundo viveu momentos de choque físico e emocional, The New Solarism representou esse evento logo na introdução, cujo nome sugestivo “Shock” veste a primeira peça com tensão crescente chamando a melancolia em um clima de tensão. É uma execução curta de pouco mais de dois minutos, porém muito emblemática para quem viveu aquele terror silencioso. Passados os primeiros momentos, “Being Lost” dá sequência ao conceito do álbum com efeitos mais melódicos e uma apelação divina com o toque do solo. Esse som, por sua vez, parece se multiplicar pelo ar soltando a cada milésimo de segundo, grande encantamento sonoro.

Essas primeiras nomeações musicais já nos permitem muito bem sacar do que se trata essa obra, correto? Mas outro nome que reforça bem o conteúdo do álbum é “Fear”. Trata-se de uma minúscula execução de alguns elementos feitos no violino. Sua sonoridade corre em nossas veias como se um fantasma flutuasse ao nosso redor. A estruturação clássica das faixas misturada aos acontecimentos recentes se fundiram na cabeça de Izabela de tal maneira que esse acaba sendo um novo estilo para a música contemporânea. Um estilo que penetra fundo na alma e extrai de nós os sentimentos mais adormecidos.

Falando um pouco sobre as influências de The New Solarism, os arranjos e trejeitos de “The Kiss” não poderiam derivar de escolas tão geniais e distintas como a do jovem compositor Nils Frahm, mas também absorve técnicas orgânicas e ilimitadas de Arvo Pärt. O experimentalismo e o clássico nunca tiveram um recipiente tão nobre quanto este álbum, que em músicas como “Uncertainty” nos acende uma chama para a realidade. Uma realidade que passou à vista de todos que estão vivos hoje, porém a mesma que levou a vida de milhões. A execução cacofônica do violino nunca esteve tão em harmonia com o caos.

“The Kiss” também é isso, é a consonância do caos em favor da melodia. Melodia essa que em execuções como “Spring” ensaia certo alívio de tudo estar passando, mas também nos reporta à memória do que já passou. O efeito de cordas que emula um vaivém de um balanço solitário, é o que resta onde antes sustentava crianças com seus sorrisos abertos. A primavera, de agora em diante, não terá mais flores coloridas nos campos por mais coloridas que as flores sejam. O que há agora são só lembranças dos que um dia estiveram a se divertir naquele parque em seu auge.

Da mesma forma que temas assim nos comovem, Izabela insere cirurgicamente a trilha sonora para ampliar a emoção. Dessa maneira a comoção sai em dose dupla. Perceba que em faixas como “The Search”, a compositora não usa muita técnica, no entanto, o poder arrebatador do violino nos lança a diferentes transes conforme sua transição. Entre loops, acordes ou simples batidas, um mar de ideias acaba se solidificando em uma mensagem curta e singela como em “Grief”. Essa música, em especial, representa o pesar de cada parente vivo sobre o seu ente querido, uma mensagem pesada, sofrida e melancólica.

Essa e outras mensagens calcadas no tema da pandemia são levadas – atualmente – aos palcos da Alemanha, por meio da turnê de The New Solarism. Dessa maneira, o público peculiar desse projeto pode não apenas ouvir como sentir melodias e ruídos de faixas como “Rage”, que corresponde apenas a toques sutis do arco nas cordas, mas que tem valor emocional penetrante. Com pouco menos de um minuto é possível sentir a ansiedade e a incerteza de um tempo corroído pela própria natureza. São coisas assim que Izabela procura extrair do ouvinte, ou seja, as suas emoções mais intimistas e ocultas.

Quando seguimos para o final do disco em “Peace”, já estamos encharcados da aura dessas músicas. Temos aqui um álbum conceitual de fina grandeza, possivelmente incompreendido por quem se limita em ouvir banalidades populares, mas, ao mesmo tempo, um candidato a clássico na visão de quem ouve música pela arte, pelas expressões e pela beleza. Músicas que são verdadeiras palavras-chave como as já citadas “Shock”, “Fear”, “Peace” e agora “The End” apontam a um novo horizonte da musicalidade e introspecção. Não há nada aqui abaixo do belo e você ainda pode considerar “The Kiss” como sendo uma ponte à sensibilidade e ao autoconhecimento.

Confira “The Kiss” pelo Spotify:

Saiba mais em:

https://www.thenewsolarism.com

https://thenewsolarism.bandcamp.com

https://youtube.com/@thenewsolarism?si=0ynh_LNtuZvFEQCy

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