Post Death Soundtrack oferece o que há de mais visceral na música em “In All My Nightmares I Am Alone”

O projeto solo capitaneado pelo canadense Stephen Moore, Post Death Soundtrack, chega ao seu quinto álbum completo imerso ao caos, dissonância, melodia, peso e tudo que possa experimentar em um estilo do rock. O nome do disco é “In All My Nightmares I Am Alone” e a primeira de suas trinta faixas é “Tremens”, uma horripilante execução composta após um evento de quase morte. A segunda é “Good Time Slow Jam (In All My Nightmares I Am Alone)” que traz um pouco mais de tenção, no entanto, “A Monolith of Alarms” quebra o gelo com batidas efervescentes. Nada do que se pode esperar da soturna “Venus in Furs”.

O que há de mais interessante em toda a alegoria composta por Moore, é que ele faz soar tudo na perfeita harmonia ainda que músicas como “When the World is Burning Bright” pareçam abstratas. O homem é mesmo um artista complexo, pois apesar de isso parecer psicodelia moderna alguns trechos como em “When the World is Burning Bright” nos trazem a um groove bem gostoso. Algumas notas mais melódicas podem até serem notadas nos poucos acordes de “Something Stirs” que, por sua vez, deságua na dissonância de “We Fall”. Isso é tudo muito curioso.

Na sequência, o Post Death Soundtrack surge com “Hypnotizer” que pode até não hipinotizar de primeira, mas é cativante pela melodia simples e crua. A sua sucessora, “River Man”, é uma peça soturna como muitas outras nesta obra, no entanto com sua devida peculiaridade. E quando digo que Stephen Moore é uma pessoa versátil, você pode conferir em “Final Days” que difere de tudo que rolou até agora, pois o que era melancólico agora se tornou elétrico. Aqui não apenas as técnicas vocais são exploradas, mas as técnicas musicais também como as batidas de violão em “Reckless Fever”, que lembram violas espanholas.

Algum trabalho de cozinha sai com mais destaque, como nas batidas da música “Crawling King Snake” que é a canção mais extensa do álbum. O andamento gera um feeling perfeito com o vocal e efeitos de guitarra. As diversas facetas de Post Death Soundtrack também trazem músicas mais soltas como no caso de “God’s Away on Business”. O que algumas pessoas não sabem é que uma das referências para esse álbum veio de Kurt Cobain, não que a pequena expressão de faixas como “Marrow” tenha conotação direta, mas o velho espírito grunge pode habitar em outras como “Surrender”.

Neste álbum “In All My Nightmares I Am Alone” você já se deparou com psicodelia, melancolia, new wave e até um ensaio country como “Oversoul”. A música semiacústica possui uma textura enxuta, mas eficiente aos nossos ouvidos. Depois dela vem “What’s He Building in There?” que é mais introspectiva e muito enigmática ou exótica, você escolhe o predicado. Isso servirá de estrada até a entrada da barulhenta “Control” que, por sua vez, abre espaço ao flamenco de “Song for Bonzai”. Essa, no entanto, revela mais predicados. Perceba quanta riqueza há apenas nesse trecho e viaje junto com o projeto.

Faltaria a a esse trabalho alguma coisa de jogos eletrônicos, para que a obra saia mais espontânea possível. Só que Moore pensou nisso também e entregou a intrigante instrumental “What Did You Just Call Me?”, que é um combinado de faixas de rádio que permeia até a entrada de “Start This Over”. Essa, por sua vez, retoma o perfil cadenciado da banda, mas mudando para um clima mais sombrio, “An Anything” segue a sua cartilha dedilhada. Ainda na mesma pegada, mas com um pouco mais introspectividade, “Desert Wind” flutua pela aurora como se fosse um lírio levado pelo vento.

Uma das coisas que Stephen Moore preza é pela honestidade musical, por isso você não encontra nenhuma canção beneficiada por softwares de estúdio. A exemplo de “I Would Surmise” e outras ao longo do álbum, o que você ouve bem aqui são efeitos gerados pelos próprios amplificadores, pedais de guitarra e modulações de microfone. “Trigger Finger” pode representar o ápice dessa crueza com suas distorções saturadas. “Este álbum é, de certa forma, um colapso completo no formato de áudio, e nisso há um avanço poderoso. Acho lindo e poderoso expressar o que muitas vezes não é reconhecido ou comunicado. Aprendi isso com Kurt Cobain e tenho muito orgulho deste trabalho.”, comemora, Stephen.

Alguns ouvintes podem achar simples, outros podem dizer que o álbum é uma grande revelação para a cena musical, mas o fato é que “In All My Nightmares I Am Alone” possui um grande poder de atração, mesmo com músicas minimalistas como “White Mare”. Para a galera que prefere aquela pegada mais divertida, músicas como “Get Your Tickets Ready” podem agradar. De maneira não idêntica, mas igualmente orgânica “Nothing” te oferece mais mistério até emplacar a verdadeira tensão gerada pela faixa título que, não por acaso, encerra o álbum.

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