Heather Dickson (vocais, sintetizadores, guitarras, produção) e Patrick Ahern (bateria, sintetizadores, produção) formam o Slender Dan. A dupla é responsável por ser um dos principais exemplos de como a música eletrônica pode ser orgânica e de como o experimental pode fugir do convencional dentro do próprio convencional.
Difícil de entender? Mais difícil ainda de explicar, por isso se faz necessário ouvir este mais novo disco do duo, “I Had A Feeling Today”, que acaba de chegar nas plataformas digitais. O disco oferece 10 músicas versáteis, distribuídas em quase 48 minutos e que apresentam uma amálgama de estilos gerando uma fórmula bem particular.
O primeiro fator mais interessante do álbum é o fato de, mesmo trazendo algo atípico e com experimentos, o produto final soar musical, até acessível, guardadas as devidas proporções. Isso porque Heather e Patrick utilizam partes experimentais que agregam ao som e aos arranjos e funcionam de forma imediata.
E, um dos fatores mais importantes disso tudo é que a dupla prima por trazer uma produção primorosa, natural, que privilegia muito bem a mescla do analógico com o eletrônico. Afinal de contas guitarra e bateria aqui se unem a sintetizadores providenciais, num encaixe que entrega o verdadeiro feeling do Slender Dan.
Há um equilíbrio interessante entre as faixas, assim como a variação de ritmos e levadas, mas temos que destacar, ao menos de imediato, a trinca inicial. “The Numbness”, que abre o disco, por exemplo, é daquelas faixas que começam tímidas e vão pedindo passagem para apresentar o trabalho em sua essência, revelando o post-punk/dream-pop que a música (e o disco) englobam.
Mas, a faixa-título e “This Blood Handshake” parecem estar interligadas entre si e a primeira, com ênfase para a última, que é uma das melhores do disco. A música simplesmente traz linhas de baixo marcantes, um fundo atmosférico pomposo e uma energia que transita entre o eufórico e o sombrio.
Destaque também para a erudita e gótica “Fuel To Fire”, para mais um post-punk inspirado em The Sisters of Mercy, a enigmática “Lucid”, além de “Nothing All”, que tem elementos acústicos e soa como uma perfeita trilha sonora para um filme romântico vampiresco.
É mais do que justo destacara que “I Had A Feeling Today” é um disco que pode soar vanguardista e atemporal. Além dos motes com post-punk e dream-pop, o trabalho tem claras referências os indie e rock alternativo, com a voz de Heather, numa mescla de doce e sombrio, sendo a sua assinatura final. Lindo!




