A adorabilidade é algo que poucos conseguem alcançar. Uma qualidade que transcende as noções de delicadeza, suavidade, frescor e maciez. Logo diante de sua introdução, a presente composição se lança em meio a essas qualidades e ainda coloca o ouvinte em contato direto com uma energia bucólica bastante sedutora. Combinando uma sonoridade suavemente azeda por parte da guitarra com as valsas agudas e semi-estridentes do violino, instrumento que, inclusive, se mostra responsável por construir uma harmonia charmosa, a faixa se desenvolve com o auxílio de uma bateria precisa que lhe confere uma base rítmica firme, contrabalanceando, de forma alegre, a leveza da paisagem sônica até então ofertada. Invariavelmente, porém, é a voz aguda e resistente de Taylor Jo que é a verdadeira estrela do ambiente. De pronúncias que não deixam esconder seu mergulho em meio ao mundo do folk e suas subdivisões, a cantora encaminha o ouvinte para uma viagem pelo contexto da americana que auxilia LIVIN’ OUT OF A CHANGE JAR a alcançar um patamar cheio de intensidade, entrega e visceralidade com direito a uma dramaturgia ausente de pungência ou melancolia.
Dá para dizer que a presente canção é mais atrevida. Ousada. Arisca e, por que não, provocante. Por meio de uma estrutura que combina guitarra elétrica e uma bateria que defende uma levada associada ao universo do blues com seu andamento em 4×4 diante de uma cadência mid-tempo, a faixa é capaz de combinar uma postura cheia de sensualidade adornada por reais pitadas de libido com um frescor que a torna ainda mais sedutora e irresistível. Com direito a um violão de frases suspirantes que tenta imprimir suavidade ao ambiente, SICK OF THIS SHIFT é uma música em que o refrão levanta a energia e apresenta uma Jo se aventurando pelas suas amplas extensões vocais de forma a esbanjar consciência e consistência. Fazendo com que o ouvinte se perceba realizando o movimento head bang de maneira involuntária, a composição é o primeiro material a ser apresentado do álbum que não esnoba, mas exibe toda a sua silhueta incontestavelmente atraente.
Propondo uma espécie de pé no freio, um estacionar na adrenalina, a canção que se anuncia já vem mais mansa, delicada, aveludada e aromática no que se refere ao seu perfume floral. Promovendo a interação direta entre o violino, o violão e a viola, a canção é capaz de construir um ambiente repleto de um romantismo sedutor. Um romantismo que, ao mesmo em que traz consigo um movimento introspectivo, sugere a percepção de brisas melancólicas trazidas pelo sopro do vento vindo do horizonte. De bateria acústica responsável por desenhar a frase percussiva mais frágil até então apresentada, ROCKIN’ THE MOON TO SLEEP é uma faixa de beleza ímpar e de charme autêntico que, além de ressaltar a escola soul de Taylor, ainda conta com um solo de violão que soa até mesmo como uma verdadeira serenata.
Trazendo consigo rompantes de uma melancolia prematura através do punch uníssono entre bateria e a guitarra lap steel, a canção surpreende por trazer uma primeira quebra rítmica poucos instantes após a sua introdução imediata. Se desenvolvendo através de uma simetria instrumental macia e fluida, a faixa esnoba uma delicadeza que vai se transformando em questionamento, imponência e até, de certa forma, empoderamento. Destacando uma vez mais a influência da música soul na forma como Taylor interpreta o conteúdo lírico, é interessante perceber que WHAT DO YOU WANT FROM ME traz consigo uma estrutura que muito lembra aquela alcançada por Bon Jovi em Dead Or Alive, seu respectivo single. Bebendo de uma cenografia pertencente ao solo de Louisiana, a faixa é agraciada por um refrão de versos líricos firmes e debatedor.
É chegada a primeira balada declarada do álbum. GONE, com seu início baseado em um instrumental lexicalmente aveludado, mas embebido em uma mistura equilibrada de melancolia e nostalgia, combina uma delicadeza um tanto sisuda através da movimentação e da sonoridade extraídas do violão. O que surpreende na presente faixa, porém, é o fato de ela, ao passo que se desenvolve, transpirar um caráter de suspense intrigante que rouba toda a cena. Explorando falsetes bem executados, Taylor imprime, aqui, um sentimentalismo pungente que beira, inclusive, o dramático. Tudo diante de um storytelling em forma de uma espécie de história geracional contada como fábula, como um mito de distanciamento.

É claro que o som da sirene policial e das arrancadas do carro por uma estrada erma dão ao ouvinte a curiosidade ideal para que ele se sinta fisgado a querer entender do que se trata essa sonorização ambiente. Por mais que ela dê uma ideia de tensão, o instrumental que se segue rouba toda essa primeira impressão. Com uma guitarra embrionariamente sensual, um violino agudo que rasga a dianteira sonora com sua harmonia irreverente e uma bateria cuidadosamente pulsante, JESUS AND THE JUDGE se configura como uma típica canção americana ambientada no velho oeste. Conseguindo fazer o ouvinte sentir o calor do sol, a faixa esbanja sensualidade e uma estrutura incontestavelmente contagiante que faz qualquer um querer, inclusive, dançar.
Não é todo o álbum que consegue atrair, de primeira, o espectador. Pudera, então, um disco de estreia alcançar esse feito. Mas contra qualquer prerrogativa, 4394JO mostra que Taylor Jo tem tudo para esbanjar a conquista dessa façanha. Cheio de ambiências sertanejas penetrantes que vão do ânimo, passam pela sensualidade e ainda consegue se divertir com experiências sensoriais dramáticas, o álbum é pautado na mais pura exploração do universo sônico do folk.
Incentivando, com maestria, o charme e o brilhantismo do violino, mas sem um apelo exagerado, o álbum combina harmonias adocicadamente aveludadas com outras que beiram a estridência de forma a criar um bom contraponto sensorial. Claro que a guitarra lap steel e a bateria frequentemente pulsante são grandes auxiliadores desse processo, os quais, inclusive, engrandecem os caráteres sensual e provocante que muito preenchem a paisagem das canções que moldam a track list.
É diante principalmente dos seis primeiros títulos que Taylor, inclusive, mostra a sua escola vocal soul de forma a brincar com a experimentação de amplas extensões vocais, além de explorar falsetes consistentes e muito bem executados. 4394JO é, portanto, um álbum que encanta por trazer torpor, sensualidade e ânimo com momentos que, inclusive, introduzem o ouvinte ao contato com um romantismo que abre portas à melancolia e à nostalgia.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5eQ3iDZZvAmyIeeAw3dKWp
Site Oficial: https://www.tayneffinjo.com
Facebook: https://www.facebook.com/TaylorJoCCB/




